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Procedimento de hemodinâmica inédito no Paraná é realizado na Policlínica, em Cascavel

Dr. Bastos

O paciente foi um bebê de 1,2 kg, que estava com o canal arterial aberto

A fragilidade dos bebês prematuros extremos pode ser ainda maior por conta de um diagnóstico frequente: a persistência do canal arterial (Fig. 1).

No prematuro, como o próprio nome diz, o canal arterial permanece aberto por um período mais prolongado, e a sua frequência é proporcionalmente maior quanto mais imaturo for o recém-nascido, sendo de 58,8% em recém-nascidos com peso inferior a 1.000g e de 25%, com peso superior a esse valor1. Esta persistência gera insuficiência cardíaca, deixando ainda mais difícil a recuperação do recém-nascido. Na vanguarda da medicina, o Hospital Policlínica de Cascavel foi o primeiro do Paraná a realizar um procedimento que visa resolver o problema.

O paciente foi um bebê que nasceu no hospital com 26 semanas, pesando 775 gramas. Ao completar 34 semanas, com cerca de 1,2 kg, foi considerado apto para passar pelo tratamento. O cardiologista intervencionista infantil, Dr. Pedro Augusto Abujamra, que atua no Hospital do Coração e na Beneficência Portuguesa de São Paulo, foi convidado para integrar a equipe e liderar o procedimento, que foi realizado poucas vezes no Brasil. “A gente nasce vivo pela presença do canal arterial. É uma estrutura embrionária, que todos nós temos na vida fetal. Na maioria das vezes, ele se fecha espontaneamente, mas em muitos bebês prematuros e em algumas outras crianças maiores, ele não se fecha. E aí esse fluxo aumentado para os pulmões após o nascimento pode ser prejudicial”, descreve o médico.

A ação consiste no fechamento do canal sem cirurgia, em um trabalho de hemodinâmica: é feita uma punção pela veia femoral e, por um cateter, é inserida uma prótese para a obstrução do canal. “A inovação, nesse caso, é porque não tínhamos dispositivos apropriados para esse tipo de paciente, mas, recentemente a Abbott teve a aprovação da Anvisa do Amplatzer Piccolo™ Occluder, dispositivo minimamente invasivo para tratar bebês prematuros e recém-nascidos com uma abertura no coração”, explica Dr. Pedro Augusto.

O procedimento foi considerado um sucesso, e a equipe celebra o pioneirismo e o êxito em um cenário tão crítico. “Foi bastante complexo, já que se tratava de um cateterismo em um bebê com pouco mais de 1 quilograma, com acesso venoso delicado, e a necessidade de um elevado grau de cuidado no transporte e no preparo da hemodinâmica. Foi um grande desafio para a equipe e para o bebê”, destaca o cardiologista Dr. Thomas Kahrbek.

 

Além do Dr. Pedro Augusto Abujamra e Dr. Thomas Kahrbek, também fizeram parte do momento histórico os cirurgiões cardiovasculares Dr. Luciano Leitão, Dr. José Dantas Lima Jr., o hemodinamicista Dr. Luiz de Castro Bastos, a pediatra Dra. Giselle Lustosa de Mello, pertencente à equipe de Neonatologista da Policlínica, sob a Chefia da Dra. Marielle Macallieri, os anestesiologistas Dr. Fernando Ribeiro Chagas e Dr. Wendell Pereira Braga, bem como os enfermeiros Alexandro Rodrigo Rahmeier e Ligia Taguti, e as técnicas de enfermagem Cleci Ribas e Fátima Aparecida B. Sagmeister, além da Instrumentadora Adriana Aparecida Rossi Ernani.

 

Referências:
1. Afiune JY, Singer JM, Leone CR. Evolução ecocardiográfica de recém-nascidos com persistência do canal arterial. J Pediatr (Rio J). 2005;81:454-60

Registro / Fotos: Saúde News - setembro de 2021