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Componente da saliva do Aedes aegypti previne a inflamação intestinal

O mosquito Aedes aegypti é bastante conhecido por ser o vetor dos vírus que causam dengue, zika e chikungunya. Esses microrganismos são transmitidos ao homem pela picada de fêmeas do mosquito que realizam a coleta de sangue para a maturação dos ovos dessa espécie de inseto.

Nos últimos 30 anos muitos grupos de pesquisa têm estudado as propriedades biológicas relacionadas à saliva do Aedes aegypti, rica em componentes bioativos. Os trabalhos publicados até o momento já verificaram que moléculas presentes no líquido salivar atuam na coagulação sanguínea, na agregação plaquetária e na vasoconstrição, características essas que possivelmente auxiliam na coleta de sangue pelas fêmeas do mosquito.

Recentemente um estudo coordenado por pesquisadores da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Nacional de Saúde (NIH) nos Estados Unidos elucidou novos mecanismos imunológicos associados a propriedades anti-inflamatórias da saliva do Aedes aegypti. Os pesquisadores trabalharam com um composto sintético produzido a partir de uma pequena proteína presente em alta concentração na saliva do mosquito. De acordo com o estudo, a administração deste composto foi capaz de atenuar os efeitos da colite, doença inflamatória do intestino.

Os experimentos foram feitos em laboratório onde camundongos com colite foram separados em dois grupos. Um grupo recebeu o tratamento com o composto presente na saliva e o outro não. Os pesquisadores evidenciaram que os camundongos que receberam o composto tiveram uma resposta clínica melhor do que os que não receberam. O melhor prognóstico da doença durante o tratamento está relacionado à diminuição de componentes inflamatórios, como citocinas e o radical livre óxido nítrico, frequentemente elevados em patologias intestinais.

Além de contribuírem com o entendimento dos mecanismos envolvidos na relação vetor-hospedeiro, os achados deste trabalho evidenciam o potencial da molécula denominada AeMOPE-1 (PEptídeo MOdulador específico do Aedes) para o tratamento da colite e outras doenças inflamatórias.

O estudo completo pode ser encontrado no site da revista Frontiers in Immunology através do link https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2021.681671/full.

 

Me. Anna Julia Pietrobon
- Doutoranda no Instituto de Imunologia da Universidade de São Paulo
- Mestrado em Imunologia pela Universidade de São Paulo
- Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná