Saúde da criança

Existe dor de crescimento?

Em grande parte, as queixas de dores nos ossos longos em crianças são benignas. As mais frequentes são as dores noturnas recorrentes nos membros, que receberam o nome de “dor de crescimento”. Alguns defendem sua ocorrência durante o estirão, mas não existe relação comprovada com o crescimento, ocorrendo geralmente em crianças entre os 3 e 10 anos.

Por que “dor de crescimento”, então? Esse termo serve para diferenciá-la de outras condições traumáticas que causam dor, por exemplo, infecções e tumores. Essas e outras devem ser descartadas, visto que o diagnóstico de “dor de crescimento” é de exclusão. É importante mencionar na consulta a localização, característica, duração, irradiação, fatores de melhora ou piora da dor e história prévia de trauma, infecção ou tumor.

Alguns critérios utilizados no diagnóstico são: idade de início dos sintomas; bilateralidade (presente em 80% dos casos); localização na parte da frente das coxas, canelas, panturrilhas e atrás dos joelhos, sendo raro, mas não improvável, o envolvimento dos membros superiores; ausência de febre, inapetência, fraqueza ou perda de peso; geralmente ocorrência noturna ou de madrugada (às vezes, fazendo a criança acordar e chorar) e ausência de massas ou deformidades associadas.

Durante as crises, cerca de 95% sente alívio apenas com massagens e compressas de água morna, sem a necessidade de analgésicos ou anti-inflamatórios, utilizados nos casos de dor mais intensa ou nas crises mais duradouras. Ao acordar, a criança está totalmente normal. É rara a ocorrência diária e o intervalo entre as crises varia de alguns dias, semanas ou meses.

A “dor de crescimento” é uma condição benigna e resolve-se no final da infância. A ansiedade pode ser controlada quando a família compreende que as dores desaparecerão. Mas lembre-se, esse diagnóstico é de exclusão, a avaliação deve ser realizada pelo pediatra ou ortopedista.

 

Dra. Fernanda da Costa Golfieri
CRM-SP 222531