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Estratégias para o combate de infecções em recém-natos

As doenças infecciosas e complicações neonatais, como prematuridade e desnutrição, são responsáveis pela grande maioria das mortes em indivíduos menores de cinco anos em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de metade das mortes nesse período da vida são causadas por doenças infecciosas como pneumonia, diarreia, malária e infecções virais, especialmente no período neonatal (primeiros 28 dias após o nascimento). Esta maior suscetibilidade a infecções está associada a imaturidade do sistema imunológico no início da vida.
A maior parte das infecções causadas por vírus acometem neonatos de maneira mais severa em comparação com adultos saudáveis. No caso da infecção pelo vírus HIV, os avanços no uso e distribuição da terapia antirretroviral contribuíram significativamente para a redução de casos de infecção em crianças.
No entanto, milhares de crianças ainda são infectadas anualmente, as quais desenvolvem uma maior viremia quando comparadas a adultos e uma rápida progressão para aids nos primeiros meses de vida, sendo que aproximadamente 10-15% morrem antes de completar um ano.
Um estudo desenvolvido na Universidade de São Paulo evidenciou que, de fato, células de cordão umbilical são mais susceptíveis a infecção pelo vírus HIV e exibem maior capacidade de gerar novas partículas virais em comparação com as células de adultos, o que ajuda a explicar o pior prognóstico da doença em crianças. Esse mesmo trabalho também evidenciou que compostos sintéticos com potencial de ativar o sistema imune são capazes de prevenir a infecção das células de cordão umbilical pelo vírus em laboratório.
Tais compostos atuam promovendo a produção de moléculas antivirais e ativando vias de combate específicas contra o vírus, tornando as células menos susceptíveis quando expostas ao HIV. Esses achados ampliam a possibilidade de desenvolvimento de intervenções terapêuticas para a proteção contra infecções e doenças nesse período da vida utilizando como abordagem principal a ativação direcionada da resposta imune. A ideia dos pesquisadores é que essa estratégia de aprimoramento das vias de defesa possa também ser aplicada em outras infecções virais, bem como, para melhorar a eficácia das vacinas em neonatos. Os resultados da pesquisa foram divulgados no artigo Antiviral Response Induced by TLR7/TLR8 Activation Inhibits HIV-1 Infection in Cord Blood Macrophages publicado no The Journal of Infectious Diseases e podem ser lidos em https://academic.oup.com/jid/advance-article-abstract/doi/10.1093/infdis/jiab389/6342784?redirectedFrom=fulltext

Em breve na Alemanha

Este artigo faz parte de um estudo realizado por Anna Julia Pietrobon, sob a orientação da  Profa. Dra. Maria Notomi Sato. A jovem é natural de Guaraniaçu - Paraná, e teve sua pesquisa publicada recentemente na renomada Revista Internacional “The Journal of Infectious Diseases”. A doutoranda dará continuidade a suas pesquisas com HIV e COVID-19 na Alemanha, no Charité - Universitätsmedizin Berlin.

O Paraná está bem representado neste projeto.
Parabéns Anna Julia, voa!

 

Me. Anna Julia Pietrobon
- Doutoranda no Instituto de Imunologia da Universidade de São Paulo
- Mestrado em Imunologia pela Universidade de São Paulo
- Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná