Saúde da Mulher

Cuidados da saúde feminina da preconcepção ao puerpério

Clínica Maternal

Neste momento crítico da pandemia causada pelo Coronavírus, muitas mulheres deixaram de realizar suas avaliações preventivas pelo temor de adquirirem esta doença e consequentemente, perdendo a oportunidade de realizarem um rastreamento primário necessário para evitar alguns transtornos que poderão ocorrer no curso de uma gestação. Neste contexto, pelo significativo número de gestantes, que sequer realizam algum planejamento para maternidade, faremos uma explanação da importância que a saúde depende de todos os cuidados de prevenção e seguimento periódico.

A relevância deste assunto é justamente prevenir que uma gestação de baixo risco se torne de alto risco e ou, uma gestação de alto risco deixe de ser melhor assistida no seguimento pré-natal, amenizando desfechos indesejáveis. Portanto, para melhor entendimento dividiremos o conteúdo em preconcepção, gestação, parto e puerpério.

Nesta primeira fase da preconcepcão, inicia-se o rastreamento primário, avaliando o histórico pregresso desta futura gestante com uma adequada anamnese e exame clínico e ginecológico, no qual poderá definir o grau de risco já citado. Concomitantemente, complementa-se esta avaliação com exames como o Papanicolau e análise do conteúdo cérvico-vaginal visando descobrir lesões atípicas e bacterianas; Ultrassonografia pélvica para investigar anomalias morfológicas dos órgãos pélvicos, e exames laboratoriais bioclínicos para investigar a presença de comorbidades clínicas dependendo do histórico desta mulher e avaliar o nível de imunidade para rubéola, hepatite B, citomegalovírus, toxoplasmose, etc. Neste mesmo momento, atualiza-se todo o esquema de vacinação pré-gestacional necessário e inicia-se o uso de ácido fólico ou metilfolato como medida efetiva para diminuir a ocorrência e a recorrência de defeitos do tubo neural.

A segunda fase será a gestação. Começamos pela assistência pré-natal, campo da medicina preventiva que avalia a mulher em um período especial de sua vida, na qual ansiedade, temores, angústia, expectativas e incertezas se direcionam para a hora do parto.  É um conjunto de medidas de natureza médica, social, psicológica e de cuidados que visa propiciar o desenvolvimento saudável da gestante e seu concepto, com objetivo efetivo de evitar ou diminuir a incidência de morbidade e mortalidade materna, fetal e neonatal. Nesta ocasião, quando já realizou o rastreamento de risco na fase preconcepcão, a gestante estaria mais segura e confiante na iniciação pré-natal. Mas, caso não o tenha feito, necessitará realizar todo o processo na primeira consulta, onde já poderá apresentar alguns riscos que seriam evitados anteriormente e, por isso, a importância do planejamento antecipado.  

Definido a condição de baixo ou alto risco, haverá um menor ou maior rigor no acompanhamento pré-natal, podendo ser de caráter multidisciplinar envolvendo outras especialidades médicas e paramédicas. Durante a assistência pré-natal, além da avaliação clínica obstétrica periódica que é primordial, também necessitamos dos métodos laboratoriais complementares para conferir maior segurança. Novamente exames laboratoriais bioclínicos para atualização trimestral, enfatizando doenças como a toxoplasmose, sífilis, citomegalovírus, HIV, hepatite, e outras comorbidades.  Ultrassonografia obstétrica morfológica de primeiro trimestre a ser realizada entre a 12ª a 14ª semana como método inicial de avaliação para cromossomopatias concomitante com a dopplerfluxometria das artérias uterinas como método preditivo para doença hipertensa específica da gestação (DHEG). Dependendo do risco fetal para cromossomopatias, aqui entra a possibilidade de realizar o NIPT (teste pré-natal não invasivo), através de uma amostra sanguínea materna, analisa-se o DNA fetal circulante para detectar anomalias cromossômicas.

No segundo trimestre gestacional, o exame de grande importância é a Ultrassonografia morfológica fetal realizada entre a 22ª a 24ª semana; e logo após, dependendo dos riscos para diabete gestacional, deve ser avaliada com teste de tolerância a glicose; e o feto com a ecodopplercardiograma fetal.

Já no terceiro trimestre, iniciam-se exames para avaliar o bem-estar do feto, visando conferir sua vitalidade com o perfil biofísico fetal realizado em conjunto de ultrassonografia e cardiotocografia em repouso e a dopplerfluxometria obstétrica dependendo dos riscos presentes nesta época.  E no último mês de gestação, a pesquisa de estreptococo do grupo B vaginal e anal para prevenção da infecção neonatal.

A terceira fase está o parto e puerpério. Período de grande expectativa porque envolve não só o casal, mas todos os familiares. O resultado de todo acompanhamento se resume neste momento, onde durante os nove meses de preparação houve o amadurecimento da decisão da via do parto, normal ou cesariana. Por isso, aqui entra a importância da relação médico paciente em que o obstetra, como o profissional de maior confiança desta gestante, deverá orientar e apoiar a decisão da melhor via a ser escolhida, exceto quando existam indicações médicas exclusivas para cesariana. Portanto, existe a necessidade de realizar o parto seguro e humanizado, escolhendo o ambiente hospitalar que apresente condições primordiais de infraestrutura e segurança para a saúde materna e neonatal, com uma equipe multidisciplinar capacitada e acolhedora para este ato mais importante da vida desta mulher.

Na sequência, segue o puerpério, período não menos importante, no qual podem ocorrer desfechos indesejáveis que são evitáveis se dado a devida importância. É o período de convalescência, em que devemos acompanhar atentamente a recuperação clínica desta mãe; que neste instante inicia-se a fase do aleitamento que traz certa ansiedade e angústia de ser incapaz de amamentar seu recém-nato. O apoio e orientações da equipe de pediatra e enfermagem são de suma importância para adesão ao aleitamento. Assim, podemos evitar um desfecho pior que se chama Depressão Pós-parto (DPP), situação esta que acontece quando existem fatores como predisposição genética para episódios psiquiátricos, alterações hormonais, isolamento social neste momento de pandemia levando a insegurança e incertezas, cansaço excessivo físico e mental devido ao peso da responsabilidade e cuidados para com o recém-nato, a instabilidade emocional com momentos de distúrbio do sono podendo exacerbar outras manifestações psiquiátricas além da depressão.

Por isso a importância do apoio e ajuda de familiares e amigos para superar estes momentos difíceis e, principalmente, a atenção do obstetra no acompanhamento deste período pós-parto.

Portanto, resumidamente demonstramos o quanto é importante todo planejamento e acompanhamento adequado para que tenhamos sempre um desfecho final perfeito ao binômio Mãe e Neonato, trazendo o sentimento do dever cumprido e, consequentemente, imensa felicidade a esta nova família.

Dr. Milton Ito
CRM-PR 7998 / RQE 1937
- Ginecologia e Obstetrícia
- Formado em Medicina pela Universidade Católica do Paraná (PUCPR)
- Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
- Pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)


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