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A vacinação contra a COVID-19 no Brasil

A COVID-19 é a maior pandemia da história recente da humanidade causada pelo vírus SARS-CoV-2. Trata-se de uma infecção respiratória aguda potencialmente grave e de distribuição global, que possui elevada transmissibilidade entre as pessoas por meio de gotículas respiratórias ou contato com objetos e superfícies contaminadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% das pessoas com COVID-19 se recuperam da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Uma em cada seis pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 ficam gravemente doentes e desenvolvem dificuldade de respirar. Os idosos e pessoas com comorbidades, tais como pressão alta, problemas cardíacos e do pulmão, diabetes ou câncer, têm maior risco de ficarem gravemente doentes. No entanto, qualquer pessoa pode se infectar com o vírus da COVID-19 e evoluir para formas graves da doença.
Para conseguir atingir o objetivo de mitigação dos impactos da pandemia, diversos países e empresas farmacêuticas estão empreendendo esforços na produção de uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19 e no monitoramento das vacinas que já se encontram com liberação para uso emergencial e/ou registradas em alguns países.

Plataformas tecnológicas das vacinas contra a COVID-19 em produção

Conheça as principais plataformas tecnológicas utilizadas para o desenvolvimento das vacinas contra a COVID-19 em estudo clínico de fase III (até o fechamento desta edição).

Vacinas de vírus inativados: as vacinas de vírus inativados utilizam tecnologia clássica de produção, por meio da qual é produzida uma grande quantidade de vírus em cultura de células, sendo estes posteriormente inativados por procedimentos físicos ou químicos. Geralmente, são vacinas seguras e imunogênicas, pois os vírus inativados não possuem a capacidade de replicação.

Vacinas de vetores virais: estas vacinas utilizam vírus humanos ou de outros animais, replicantes ou não, como vetores de genes que codificam a produção da proteína antigênica (no caso, a proteína Spike ou proteína S do SARS-CoV-2). Os vetores virais replicantes podem se replicar dentro das células enquanto os não replicantes, não conseguem realizar o processo de replicação, porque seus genes principais foram desativados ou excluídos. Uma vez inoculadas, estas vacinas com os vírus geneticamente modificados estimulam as células humanas a produzir a proteína Spike, que vão, por sua vez, estimular a resposta imune específica. O vírus recombinante funciona como um transportador do material genético do vírus alvo, ou seja, é um vetor inócuo, incapaz de causar doenças.

Vacina de RNA mensageiro: o segmento do RNA mensageiro do vírus, capaz de codificar a produção da proteína antigênica (proteína Spike), é encapsulado em nanopartículas lipídicas. Da mesma forma que as vacinas de vetores virais, uma vez inoculadas, estas vacinas estimulam as células humanas a produzir a proteína Spike, que vão por sua vez estimular a resposta imune específica. Esta tecnologia permite a produção de volumes importantes de vacinas, mas utiliza uma tecnologia totalmente nova e nunca antes utilizada ou licenciada em vacinas para uso em larga escala. Do ponto de vista de transporte e armazenamento, estas vacinas requerem temperaturas muito baixas para conservação (-70º C no caso da vacina candidata da Pfizer e -20º C no caso da vacina candidata da Moderna), o que pode ser um obstáculo operacional para a vacinação em massa, especialmente em países de renda baixa e média.

Unidades proteicas: por meio de recombinação genética do vírus SARS-CoV-2, se utilizam nanopartículas da proteína Spike (S) do vírus recombinante SARS-CoV-2 rS ou uma parte dessa proteína denominada de domínio de ligação ao receptor (RDB). Os fragmentos do vírus desencadeiam uma resposta imune sem expor o corpo ao vírus inteiro. Esta é uma tecnologia já licenciada e utilizada em outras vacinas em uso em larga escala e, usualmente, requer adjuvantes para indução da resposta imune. Diante da emergência em saúde pública e necessidade da disponibilização de vacinas como medida adicional na prevenção da COVID-19, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), como órgão regulador brasileiro, concedeu a autorização temporária de uso emergencial, em caráter experimental, dos dois processos submetidos na Agência: as vacinas da Fiocruz/AstraZeneca e Instituto Butantan/ Sinovac. No dia 23 de fevereiro, a Anvisa concedeu o registro definitivo à vacina da Pfizer/BioNtech. Existe, ainda, a negociação em andamento do Ministério da Saúde com outras farmacêuticas que atualmente ofertam o produto ao mercado nacional: Janssen, Bharat Biotech, Moderna, Gamaleya, Sputnik V, dentre outras.

Encomenda tecnológica pelo Ministério da Saúde:
- Fiocruz / AstraZeneca – previstas 102,4 milhões de doses, até julho/2021 e em torno de 110 milhões de doses (produção nacional) entre agosto a dezembro/2021.
- Covax Facility: previstas 42,5 milhões de doses (10 laboratórios estão negociando com a Covax Facility o cronograma de entrega).
- Instituto Butantan / Sinovac: previstas 46 milhões de doses no primeiro semestre de 2021 e 54 milhões no segundo semestre de 2021.
- Pfizer / BioNtech: 100 milhões de doses a partir do segundo trimestre de 2021, sendo 14 milhões até junho. Além disso, o Governo Federal está em negociação por 10 milhões de doses com a União Química (vacina Sputnik V/Instituto Gamaleya/RUS), 38 milhões com a Jonhson & Jonhson (vacina Janssen/BEL) e 13 milhões com a Moderna (EUA).

Vacinas COVID-19 em uso no Brasil

Vacina adsorvida COVID-19 (inativada) - Instituto Butantan (IB) Coronavac
É uma vacina contendo antígeno do vírus inativado SARS CoV-2. Os estudos de soroconversão da vacina adsorvida COVID-19 (inativada) demonstraram resultados superiores a 92% nos participantes que tomaram as duas doses da vacina no intervalo de 14 dias e mais do que 97% em participantes que tomaram as duas doses da vacina no intervalo de 28 dias. A eficácia desta vacina foi demonstrada em um esquema contendo duas doses com intervalo de duas a quatro semanas. Para prevenção de casos sintomáticos de COVID-19 que precisaram de assistência ambulatorial ou hospitalar a eficácia foi de 77,96%. Não ocorreram casos graves nos indivíduos vacinados, contra 7 casos graves no grupo placebo.

Vacina COVID-19 (recombinante) - Fiocruz/Astrazeneca
A vacina COVID-19 (recombinante) desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca/Universidade de Oxford em parceria com a Fiocruz é uma vacina contendo dose de 0,5 mL contém 1 × 1011 partículas virais (pv) do vetor adenovírus recombinante de chimpanzé, deficiente para replicação (ChAdOx1), que expressa a glicoproteína SARS-CoV-2 Spike (S). Produzido em células renais embrionárias humanas (HEK) 293 geneticamente modificadas. Os estudos de soroconversão da vacina COVID-19 (recombinante) demonstraram resultados em ≥ 98% dos indivíduos em 28 dias após a primeira dose e > 99% em 28 dias após a segunda dose. A eficácia desta vacina foi demonstrada em um esquema contendo duas doses com intervalo de 12 semanas. Os indivíduos que tinham uma ou mais comorbidades tiveram uma eficácia da vacina de 73,43%, respectivamente, foi similar à eficácia da vacina observada na população geral. (Pode ser que até o fechamento desta reportagem, outras marcas e tipos de vacinas passem a fazer parte do Plano Nacional de Imunização contra a COVID-19.).


Vacinação contra a COVID-19 no Paraná

Caracterização de grupos de risco
Para caracterização dos grupos alvos, determinando assim a população a ser vacinada, levou-se em conta alguns critérios como:
•    Risco de exposição à doença;
•    Risco de desenvolver formas graves da doença;
•    Risco de transmissibilidade da doença;
•    Dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Tendo como base esses critérios elencaram-se dois grandes grupos, detalhados ao lado:

Tendo como base esses critérios elencaram-se dois grandes grupos, detalhados a baixo:

Comorbidades, idosos e pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas
Determinadas condições e/ou comorbidades elevam o risco para o desenvolvimento de formas graves da doença, como:
• Idade superior a 60 anos;
• Diabetes mellitus;
• Doença pulmonar obstrutiva crônica;
• Doença renal;
• Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares;
• Hipertensão;
• Síndrome de Down;
• Cirrose hepática;
• Indivíduos transplantados de órgãos sólidos;
• Anemia falciforme;
• Imunossuprimidos;
• Câncer;
• Obesidade grave (IMC≥40);
e • Populações indígenas. 

Demais grupos
Com base no risco de exposição e transmissão do vírus da COVID-19, outros grupos foram elencados como prioritários pelo MS:
• Trabalhadores de Saúde;
• Trabalhadores Educacionais;
• Forças de Segurança e Salvamento;
• População Privada de Liberdade;
• Funcionários do Sistema Prisional;
• Indígenas;
• Quilombolas;
• População Ribeirinha.

Vale ressaltar que a seleção destes grupos é passível de alterações, a depender da análise da vacina pela Anvisa e das possíveis contraindicações que surgirem. 

Grupos especiais

Gestantes, Puérperas e Lactantes
A segurança e eficácia das vacinas não foram avaliadas nestes grupos, no entanto estudos em animais não demonstraram risco de malformações. Para as mulheres, pertencentes a um dos grupos prioritários, que se apresentem nestas condições (gestantes, lactantes ou puérperas), a vacinação poderá ser realizada após avaliação cautelosa dos riscos e benefícios e com decisão compartilhada, entre a mulher e seu médico prescritor.

Uso de antiagregantes plaquetários e anticoagulantes orais e vacinação
Os antiagregantes plaquetários devem ser mantidos e não implicam em impedimento à vacinação. O uso de injeção intramuscular em pacientes sob uso crônico de antiagregantes plaquetários é prática corrente, portanto considerado seguro.

Pacientes portadores de doenças reumáticas imunomediadas (DRIM)
Preferencialmente, o paciente deve ser vacinado estando com a doença controlada ou em remissão, como também em baixo grau de imunossupressão ou sem imunossupressão. Entretanto, a decisão sobre a vacinação em pacientes com DRIM deve ser individualizada e sob orientação de médico especialista. 

Pacientes oncológicos, transplantados e demais pacientes imunossuprimidos
A eficácia e segurança das vacinas contra a COVID-19 não foram avaliadas nesta população. No entanto, considerando as plataformas em questão (vetor viral não replicante e vírus inativado) é improvável que exista risco aumentado de eventos adversos. A avaliação de risco/benefício e a decisão referente à vacinação ou não deverá ser realizada pelo paciente em conjunto com o médico assistente, sendo que a vacinação somente deverá ser realizada com prescrição médica.

Contraindicações à administração da vacina
• Hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer dos excipientes da vacina;
• Para aquelas pessoas que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior de uma vacina COVID-19.
Recomenda-se que, antes de qualquer vacinação, seja verificada nas bulas e respectivo(s) fabricante(s), as informações fornecidas por este(s) sobre a(s) vacina(s) a ser(em) administrada(s). Ressalta-se que informações e orientações detalhadas encontram-se no Protocolo de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de Eventos Adversos Pós-vacinação.

Fonte: Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 - 4ª edição / Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19 / Ministério da Saúde / Anvisa