Prevenção

Obesidade infantil: como identificar e combater?

Três em cada dez crianças brasileiras entre 5 e 9 anos estão acima do peso. Esses números revelam um aumento da obesidade infantil nas últimas décadas, com muitas consequências como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, entre outras doenças que podem persistir na vida adulta. Para saber se uma criança está obesa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia o resultado do Índice de Massa Corporal (IMC), uma equação que leva em conta o peso e a altura da pessoa. Para facilitar, você pode descobrir o IMC da criança em diversas calculadoras on-line.

Fatores de risco para o excesso de peso na infância
Embora o desequilíbrio alimentar (tanto em quantidade quanto em qualidade) seja apontado como um dos principais responsáveis pelo aumento da obesidade no mundo, existem outros fatores de risco.

Excesso de alimentos ultraprocessados: apesar da população estar um pouco mais empenhada em consumir alimentos in natura, ainda é grande a ingestão de produtos ultraprocessados, que são aqueles alimentos como biscoitos recheados, sucos em pó, salgadinhos etc. Uma avaliação com 184.163 bebês menores de 2 anos, publicada no Atlas da Obesidade Infantil no Brasil de 2019, mostrou que 48% deles haviam consumido ultraprocessados no dia anterior; e 64% de um total de 170.714 crianças entre 2 e 4 anos tinham ingerido bebidas adoçadas.

Sedentarismo: brincar, pedalar ou praticar esportes virou quase uma obrigação para as crianças e adolescentes que passam horas diante da televisão, do tablet e de outras telas. No Brasil, apenas 16,4% dos jovens são considerados ativos, de acordo com um levantamento da OMS publicado em 2016 na revista científica The Lancet. O resultado tem sido menor gasto calórico e aumento de peso na balança.

Falta de sono: o sono de má qualidade bagunça os hormônios que regulam a fome e a saciedade. Uma revisão de 42 estudos sobre a duração do sono de crianças e adolescentes, feita pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, confirmou que dormir menos que o necessário nessas faixas etárias aumenta significativamente o risco de obesidade na fase adulta.

Alterações genéticas e hormonais: a composição corporal dos pais influencia na dos filhos. A literatura médica indica que as crianças com pai e mãe não obesos apresentam apenas 10% de probabilidade de enfrentar o problema. O risco aumenta para 40% quando um deles (pai ou mãe) é obeso; e salta para 80% no caso de ambos estarem dentro desse quadro. Alterações de determinados hormônios, como insulina, hormônio do crescimento, hidrocortisona, entre outros também podem resultar em ganho de peso.

Problemas psicológicos: assim como nos adultos, transtornos mentais impactam a saúde física dos mais novos. Jovens ansiosos acabam descontando na comida, enquanto os deprimidos sofrem alterações no apetite.

Como prevenir a obesidade infantil
Para garantir que crianças e adolescentes não evoluam com problemas de peso, é necessário que os pais ajam o quanto antes. Veja algumas recomendações:
• Amamentar: um dos benefícios do aleitamento materno é a prevenção da obesidade.
• Organizar um cardápio saudável e variado: uma alimentação balanceada é rica em frutas, legumes, verduras e água.
• Incentivar as crianças e os adolescentes a se exercitar: gastar energia faz parte de um desenvolvimento sadio e, portanto, eles devem ser incentivados a brincar, correr, pular, pedalar ou praticar esportes.
• Cuidar para que eles durmam bem: o sono reparador é fundamental para o desenvolvimento e a saúde das crianças e dos adolescentes. É importante também limitar as sonecas da tarde – elas não substituem o sono noturno.

Atenção redobrada na pandemia
Por causa do isolamento social, as crianças estão gastando menos energia, o que pode provocar ganho de peso num futuro próximo. Veja algumas dicas para amenizar os efeitos da quarentena no peso das crianças:
• Evite os ultraprocessados;
• Fique atento ao tempo que os pequenos ficam ligados em telas;
• Procure fazer as refeições em família e envolver as crianças na preparação dos alimentos;
• Promova brincadeiras que os façam se movimentar dentro de casa ou no quintal;
• Dê o exemplo. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo dos pais que pela orientação.

Como está a alimentação do seu filho?
Siga as setas para avaliar se os pequenos estão comendo bem ou se é necessário fazer ajustes:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: SulAmérica / Saúde Ativa