Bem-Estar

A influência da mágoa do passado

Vivian Porto - Psicóloga Clínica

É interessante notar como certas pessoas não querem relembrar situações do passado, momentos que deixaram marcas profundas ou, até mesmo, traumas. Dizem simplesmente: “mas eu já resolvi, está tudo certo, isso não me incomoda mais”... Porém, às vezes, surge a necessidade de relembrar uma pequena parte, uma faísca daquela situação ocultada, então, logo percebemos que os olhos se enchem de lágrimas e a voz emocionada falha. Não raro, isso acontece com crianças, jovens, adultos ou pessoas na terceira idade. Para muitos adultos, relembrar algo que ocorreu na escola, quando era criança, ainda emociona. Eu faço uma pergunta a você leitor: será que essa recordação não traz prejuízos efetivos ao indivíduo?

Levando em consideração as palavras e afirmações de C. Gustav Jung (psiquiatra), vamos refletir juntos: pensamos que somos conduzidos pelo nosso consciente, mas somos conduzidos pelo nosso “inconsciente”, uma vez que esse é enorme, quando comparado ao consciente. É o inconsciente que detém registros coletivos, como se fossem heranças das atuações repetitivas milenares da nossa espécie. Jung denomina essa herança de arquétipos. Também temos o inconsciente individual, tudo aquilo que vivemos, ou tivemos medo de viver, onde está a nossa sombra, isto é, conteúdos que não reconhecemos como nossos, bem como lembranças que vão na escala de boas até traumáticas, a que nos referimos o texto.

As memórias que tentamos evitar, não pensar, não gostamos, nos fazem mal, costumam ser aquelas que deixam cicatrizes dolorosas no cérebro emocional. Atravancam de alguma maneira a nossa existência, sem que possamos nos dar conta disso.

Como as memórias não desejadas aparecem em nosso cotidiano?

Nas relações, tornando-as desprovidas de prazer, principalmente, com aqueles que são tão importantes na nossa vida. E não devemos subestimar a relevância de mágoas passadas, pois elas reduzem a habilidade de vivenciar o prazer. Quando o assunto é tão arraigado, aconselhamos a pessoa a aventar a hipótese de buscar um psicoterapeuta bem preparado, acolhedor, em quem ela possa confiar.

Nesse trabalho, será identificado o conflito crônico nas relações mais importantes do presente, nos âmbitos familiar, profissional e social.

Não tenha pressa para resolver, pois demorou a se instalar, então precisará ser revisto de distintos ângulos, e porque o conflito se formou a partir de um tema central e na sequência foi se desenvolvendo uma trama num movimento desse centro para a periferia. Na psicoterapia, será feito um movimento contrário, da periferia até chegar ao cerne do trauma. Ansiedade para percorrer rápido esse caminho não ajudará no processo de despoluição do fluxo da sua vida emocional ou no desbloqueio dos mecanismos de adaptação e autocura.

Quando conseguimos a resolução de velhas feridas traumáticas, podemos permitir que nossos relacionamentos encontrem uma nova vida. Livres dos fantasmas do passado, é possível achar maneiras mais saudáveis de nos relacionarmos, especialmente, com aqueles que são importantes para nós. 

Para refazer e estreitar as relações, devemos lembrar que sempre se faz necessário aprender a comunicação emocional mais eficaz, por meio da comunicação verbal assertiva e não violenta, o que agregará muito mais equilíbrio aos relacionamentos. Contudo, essa comunicação precisa ser inserida com luta no nosso dia a dia, até que se consiga meios mais efetivos de expressão.

Para uma comunicação emocional equilibrada, quanto mais objetivos formos, não alienaremos o ouvinte e despertaremos nele o respeito por nós. E, para isso, devemos concentrar a conversa naquilo que estamos sentindo, pois se falo o que sinto ninguém pode discutir comigo. Comece a frase com eu e não com você. Diga o quanto ficou triste (ou outra emoção) a partir da ação da pessoa.

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Vivian Porto
Psicóloga Clínica CRP 08/26116
Graduada em Neuropsicologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/2003)
Título de Especialista pelo Conselho Federal de Psicologia

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