Bem-Estar

Terapia on-line na pandemia (e depois dela)

Psicologia

Vivemos um ano surreal que será lembrado por toda a história como o ano que todos foram obrigados a se recolher, escondidos de um inimigo invisível, cercados de terror, ansiedade e luto. A história de cada um - sua formação, sua infância e história familiar, seu trabalho, suas circunstâncias -, tem papel marcante e decisivo na forma como reagimos diante deste, antes inimaginável, ano de 2020. Em mais de dezoito anos de experiência na clínica, e mais especificamente no atendimento à distância, por videoconferência e por telefone, posso dizer: o ano que se encerra foi o ano on-line, não apenas na psicologia. A necessidade de distanciamento e reclusão se impôs e expandiu os horizontes a novas formas de comunicação e afeto, novas formas de relacionamento antes restritas a algumas poucas pessoas que tinham o hábito e a afinidade com a tecnologia e o modo de se relacionar pelo computador, pelos celulares e tablets por meio de lives, Skype, Zoom, Facebook, Whatsapp, etc., agora ferramentas comuns e indispensáveis para a comunicação em todas as áreas. A terapia on-line, embora somente regulamentada há pouco mais de um ano, já era uma realidade de fato para muitos profissionais. Na minha experiência prática, a realidade do distanciamento e mudanças de cidades, já se impunha há muitos anos e possibilitava o atendimento dos pacientes à distância, muito antes do nosso ano multiconectado. Mas o que era uma situação muito específica na terapia, e muito particular na experiência de alguns profissionais, ganhou outra dimensão e importância com a disseminação na comunicação on-line, que deixou de ser uma ferramenta restrita a alguns poucos grupos e passou a ser a realidade normal de todo o mundo. As pessoas aprenderam que o relacionamento através de uma tela e um microfone não é apenas possível, mas também pouco difere da conversa presencial, especialmente no trabalho e, na realidade, traz muitas vantagens em determinadas áreas.
Com as reuniões, cursos, palestras e até entrevistas de emprego on-line, inúmeros obstáculos foram retirados, como as viagens e deslocamentos, menores custos e estruturas, maior objetividade, e os resultados mostraram que as atividades on-line são tão satisfatórias, ou até mais eficientes que as atividades presenciais. Na terapia isto não é diferente. Com anos de experiência, atesto  que os resultados e as sessões por vídeo, salvo alguns poucos casos específicos mais graves, não perdem em nada para o atendimento presencial. Acredito que o atendimento on-line tem algumas vantagens: o paciente tem maior liberdade de horários, a comodidade de estar no seu próprio ambiente - em casa ou no trabalho, a economia de tempo no deslocamento, a privacidade e o acesso ao profissional de outra localidade (muito valorizado em cidades pequenas e círculos profissionais mais fechados), a continuidade no atendimento em viagem, o menor custo para o profissional e para o paciente. No aspecto terapêutico em si, a terapia on-line exige mais experiência do Psicólogo, até que adquira as habilidades e percepções com as nuances da relação com o paciente, levando alguns profissionais a não se adaptarem ao atendimento por videoconferência, mas afinal, assim é com o novo e diferente.
Para o paciente, a terapia tende a se desenvolver de forma até mais fluída que no atendimento presencial, em função da facilidade de exposição e fala, não apenas daqueles que já tem alguma familiaridade com a interação on-line, mas mesmo de quem nunca tinha participado de uma simples conversa por vídeo. Nas centenas de sessões on-line, pude perceber que a interação (e, por consequência, o resultado) com o paciente é, de modo geral, um pouco mais rápida, na medida em que o “gelo” se quebra com mais facilidade e se sente mais à vontade e menos constrangido para expor suas questões. De fato, em alguns casos, em que o atendimento foi inicialmente presencial, e depois on-line, os resultados foram ainda melhores que no atendimento presencial.
A pandemia trouxe o que muitos estão chamando de um “novo normal”, novas formas de trabalho, estudo e tratamento, até mesmo, na telemedicina. A terapia on-line já era uma realidade antes da pandemia, mas sua eficácia e suas vantagens se revelaram na pandemia, a possibilitar o acesso para um número maior de pessoas. As angústias, as dores, dificuldades e ansiedades vividas neste ano, abriram os olhos de um maior número de pessoas para a necessidade da terapia, para desmistificar a ideia absolutamente errônea de que psicólogo é “para loucos”, e trazer a compreensão de que fazer terapia é cuidar da saúde mental, como se cuida da saúde do físico. Assim como o exercício físico e a alimentação proporcionam saúde ao corpo (incluído o cérebro), a terapia proporciona saúde para a mente. Para se ter qualidade de vida, é importante reservar tempo e dinheiro para cuidar do corpo: academia, pilates, atividades ao ar livre, fisioterapia, etc.. Da mesma maneira, a saúde mental é tão importante quanto, ou mais, porque sem saúde mental o corpo padece. É importante também, mais que tudo, cuidar do espiritual, da sua fé, para ter paz e esperança para além desta vida. Eu, como cristã, costumo dizer que o ser humano é um tripé: mente, corpo e espírito. São muitas as evidências de que a fé é um elemento essencial para o ser humano. Mesmo quem discorda, de alguma forma tem a sua fé, que pode se manifestar como princípios de moral, filosofia de vida, mas que dá sentido à existência neste mundo. As consequências da pandemia para a saúde mental das pessoas ainda serão aferidas ao longo dos anos que se seguirão, mas já é possível perceber no consultório a profundidade dos seus efeitos e o aumento da procura pela terapia – a par dos prejuízos que a Covid-19 trouxe – acredito que no futuro será um ganho para a coletividade, pois mais pessoas em todo o mundo certamente vão compreender e adquirir a consciência da importância de cuidar de sua saúde mental, como cuidam das demais necessidades da vida. O que eu posso dizer com absoluta convicção é: se você compreendeu esta necessidade e adquiriu esta consciência, faça terapia! Se não compreendeu ou, ainda, não adquiriu essa consciência, aceite esta recomendação profissional e faça assim mesmo! Acredito sinceramente que ninguém estará isento, em maior ou menor grau, dos efeitos nefastos do bombardeio de informações e vivências negativas, sofridas neste ano. Não deixe passar o tempo, aja logo, quanto antes melhor. Faça on-line ou presencial, mas faça terapia! 

Josevony Simioni
Psicóloga e Psicanalista
CRP-01/21570

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