Bem-Estar

Acompanhamento fonoaudiológico para evitar troca de letras e gagueira

Boa parte dos atendimentos do fonoaudiólogo, profissional da saúde responsável pela avaliação, diagnóstico e reabilitação de distúrbios relacionados à comunicação, voz e audição, é dedicado às crianças. Isso porque os pequenos estão em período de aprendizagem comunicativa e é comum que encontrem dificuldades na hora de falar. A professora do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFMG, Andrea Motta, cita alguns dos problemas mais comuns percebidos na infância: “Um deles é um atraso em relação ao aparecimento da fala, que está associado a questões de linguagem e alterações no desenvolvimento da própria fala, com as substituições e trocas de letras. E podemos ter, também, as dificuldades de falar o som especificamente”. Segundo Andrea, a troca de letras faz parte do desenvolvimento da comunicação da criança, mas atitudes como o uso de chupeta, mamadeira e chupar o dedo atrapalham esse desenvolvimento, já que interferem nos músculos que são movimentados na fala. Outro fator de risco indicado pela professora é o fato de alguns pais forçarem uma fala infantilizada, o que prejudica a compreensão da criança. Ela também comenta as possíveis consequências que podem surgir na fase adulta: “Alguns problemas de comunicação, estigmatização, dificuldade de colocação no mercado de trabalho e outras interações sociais”. É recomendável, portanto, que o tratamento seja realizado precocemente, de modo que os pais recorram ao fonoaudiólogo para uma orientação adequada à correção do problema.

Gagueira e respeito
A gagueira acomete cerca de 5% da população, sendo 1% de forma crônica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência. Dentre seus sintomas, destacam-se a ruptura ou disfluência involuntária da fala e velocidade reduzida na hora de falar. “Para realizarmos o diagnóstico de gagueira, o indivíduo tem que ter pelo menos 3% de disfluências gagas na sua fala”, diz a orientadora do Programa de pós-graduação em Ciências Fonoaudiológicas da UFMG, Vanessa de Oliveira. Nessas disfluências, são comuns bloqueios de fala, repetições de sons e sílabas e prolongamentos de sons. O diagnóstico é feito por meio da avaliação da fala e linguagem, além do levantamento de fatores de risco, como histórico familiar, atraso no desenvolvimento da fala e o próprio gênero, já que a gagueira é mais prevalente entre os homens. Vanessa calcula que mais de 80% das crianças podem ser curadas e esclarece que o papel do fonoaudiólogo é proporcionar ou potencializar as chances de cura. Existem também grupos de apoio para gagos e pais de crianças gagas, vinculados à Associação Brasileira de Gagueira. A fonoaudióloga ainda destaca a importância do respeito mútuo. “Às vezes, as pessoas com gagueira são excluídas de situações de comunicação e emprego, porque as outras pessoas acham que elas não dominam determinado assunto ou são menos capazes, mas a verdade é que são muito inteligentes”, afirma. “Durante uma situação de comunicação, o que o ouvinte tem que fazer é esperar a pessoa com gagueira terminar de falar. Ela pode demorar, mas sabe o que tem a dizer”, conclui a especialista.

Texto: Faculdade de Medicina da UFMG