Prevenção

Fechamento de CIA Duplo

Dr. Luiz de Castro Bastos

No dia 09 de outubro de 2020, foi realizado no Hospital Policlínica Cascavel o procedimento de fechamento de doença congênita no septo interatrial, chamada de Comunicação Interatrial (CIA), sem a utilização de cirurgia cardíaca. Esta doença é caracterizada pela comunicação anormal, persistente após o nascimento, entre o átrio direito e o átrio esquerdo permitindo a passagem do sangue entre estas duas cavidades do coração (Fig. 1 - veja abaixo). Isto leva a um aumento da pressão no lado direito do coração provocando, na maioria dos pacientes, sensação de falta de ar, batimentos anormais do coração e, em outros, até o acidente vascular cerebral. Ela representa aproximadamente 10% de todas as cardiopatias congênitas1. Antigamente era necessária a realização de cirurgia cardíaca para executar este tratamento com mais riscos para os pacientes.

Neste caso, a paciente de 38 anos apresentava duas comunicações, o que dificultou sobremaneira a realização deste procedimento uma vez que, na maioria dos casos, o defeito é único, necessitando apenas de uma prótese. Houve a necessidade de se avançar duas cordas guias, dois catéteres balão e a colocação de duas próteses de Amplatzer: uma de 18 mm e outra de 15 mm. Esta prótese é constituída de dois discos autoexpansíveis de malhas de uma liga de níquel-titânio (Nitinol), com 0,004 a 0,005 polegadas, que são ligados por um corpo central curto (4mm), formado pelo mesmo material, correspondendo ao tamanho do defeito do Septo Interatrial (SIA). O raio do disco do lado esquerdo mede 7mm a mais do que o corpo central da prótese, e o disco do lado direito, apenas 5mm, sendo, portanto, 2mm menor do que o do lado esquerdo. O maior tamanho do disco esquerdo se explica em virtude do fluxo ser da esquerda para a direita devido à pressão maior do átrio esquerdo em relação ao átrio direito. Ambos os discos são presos em uma haste longa, por meio de uma microrrosca, num cabo de aço inoxidável que o direciona até o local da liberação (Fig. 2 - veja abaixo). Os discos e o corpo central são preenchidos com tecido de Dacron, facilitando a trombose e evitando passagem de fluxo por dentro da prótese.

O procedimento foi realizado na sala de Hemodinâmica do Hospital Policlínica Cascavel, envolvendo um grande grupo de profissionais: Dr. Carlos Eduardo dos Santos Martins, Anestesiologista; Dra. Claudia Truffa de Carvalho, Ecocardiografista; Dr. Luciano Augusto Leitão, Cirurgião Cardiovascular; Dr. Luiz de Castro Bastos, Hemodinamicista; Dr. Marcelo Pandolfo, Cirurgião Cardiovascular; Enfermeiros Alexandro Rodrigo Rahmeier e Marcos Eduardo dos Santos Alves, Técnicos de Enfermagem Cleci Ribas, Andryo Renato Zimermann e Fátima Aparecida Balbino Sagmeister. (fig. 3 - veja abaixo)

Estando a paciente sob anestesia geral, e após o adequado preparo da mesma com assepsia da região inguinal direita e cobertura com campos esterilizados, é introduzida a sonda de Ecocardiografia Transesofágica para a análise precisa do septo interatrial durante todo o procedimento. Em seguida, é puncionada a veia femoral e introduzidos os catéteres balão para a dilatação do septo defeituoso e medida dos orifícios (Fig. 4 - veja abaixo). Foram posicionadas duas próteses de Amplatzer, guiadas pelas imagens do Ecocardiograma Transesofágico. Após o adequado posicionamento das mesmas (Fig. 5 - veja abaixo), foi liberada primeiramente a prótese menor e, em seguida, a prótese maior com excelente resultado no posicionamento das mesmas, ocluindo plenamente os dois orifícios.

O procedimento decorreu sem nenhuma complicação, com duração de 45 minutos, e a paciente foi encaminhada para a UTI com alta programada para o quarto no dia seguinte. Obteve alta hospitalar no segundo dia em excelente estado de saúde. Este procedimento é hoje a primeira opção para o tratamento desta Doença Congênita, substituindo a Cirurgia Cardíaca uma vez que seu índice de complicação é muito mais baixo e o resultado é completo. Mais uma vez o Hospital Policlínica Cascavel é o pioneiro na realização deste procedimento estando apto para o adequado tratamento desta e de outras doenças, congênitas ou não, sem o desconforto de uma cirurgia onde os riscos de complicações são maiores.

Referências: 1. HOFFMAN JI, CHRISTIANSON R. Congenital heart disease in a cohort of 19.502 births with long term follow-up. Am J Cardiol 1978; 42:641-7.