Saúde da Mulher

Inseminação Intrauterina

Ginoferty

A inseminação intrauterina é a introdução de sêmen (previamente preparado no laboratório de reprodução humana) no interior do útero, com o objetivo de se obter gestação. Este processo somente aproxima o(s) óvulo(s) dos espermatozoides, em que ambos são melhorados através da indução da ovulação na mulher e do preparo do sêmen no homem, para que a fertilização ocorra naturalmente na tuba uterina.
Portanto, na inseminação intrauterina a fertilização, ou seja, o encontro do óvulo com o espermatozoide ocorre no próprio organismo da mulher, na tuba uterina, não sendo necessária a estrutura complexa de um laboratório e tampouco de um ambiente cirúrgico para ser realizada, ao contrário da Fertilização in vitro. Para se realizar uma inseminação intrauterina é preciso ter trompas normais, espermograma com morfologia normal e processamento seminal com mais de cinco milhões de espermatozoides móveis/ml. Se estes requisitos não forem preenchidos, poderá ser indicada a realização de uma Fertilização in vitro, dependendo de cada caso.
 
As principais indicações para realização de uma inseminação intrauterina são:
 
• Falha em três a seis ciclos de coito programado;
• Fator cervical;
• Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA);
• Endometriose mínima ou leve;
• Anovulação;
• Incapacidade de depositar o sêmen na vagina (hipospádia, ejaculação retrógrada, impotência neurológica);
• Alteração seminal leve.
A coleta seminal é feita através da masturbação, numa sala apropriada, anexa ao laboratório de reprodução humana. O frasco coletor é fornecido pelo laboratório e deve ser largo e ser de material previamente testado quanto à toxicidade para a motilidade dos espermatozoides. Todo o material ejaculado deve ser depositado no frasco coletor. O material deverá ser avaliado em até uma hora após a coleta.
 
As técnicas mais utilizadas para o processamento do sêmen no laboratório de reprodução humana são:
 
• Gradiente descontínuo de densidade: aplica-se uma força centrífuga sobre os espermatozoides e outras partículas do sêmen, obrigando-os a vencer gradientes de densidades diferentes. Os espermatozoides de melhor qualidade ultrapassam essas camadas e formam o precipitado. O plasma seminal, debris, células germinativas, leucócitos e espermatozoides anormais que ficaram retidos no sobrenadante são desprezados, resultando em uma amostra com os melhores espermatozoides.
• Migração ascendente (swim-up): o sêmen é depositado no fundo de um tubo de ensaio e coberto por uma pequena quantidade de meio de cultura tamponado. Os melhores espermatozoides se desprendem e nadam para a superfície. Após um período, retira-se o sobrenadante, o qual contém espermatozoides com excelente motilidade.
• Lavagem seminal (sperm-wash): consiste na adição de meio de cultura tamponado ao sêmen e posterior centrifugação para separar o plasma dos espermatozoides.
Realizado o processamento seminal, a amostra é ressuspendida em 0,5-1,0 ml de meio de cultura e o cateter para a inseminação é preparado. O(a) médico(a) introduz o cateter pelo canal cervical, geralmente guiado pela ultrassonografia transabdominal, e deposita a amostra seminal lentamente na cavidade uterina. Após o procedimento, a paciente permanece deitada por 30 minutos e pode voltar as suas atividades normais. O exame de sangue para confirmar ou não a gravidez, é realizado após 14 dias. Na inseminação intrauterina em pacientes abaixo de 30 anos, a taxa de gravidez é de 15% a 20%, mas acima de 37 anos cai para 6,2%. Os resultados são melhores quando a causa é ovulatória, por fator masculino leve ou infertilidade sem causa aparente. Alterações tubárias e endometriose têm chances reduzidas com a inseminação intrauterina. Nas pacientes com infertilidade sem causa aparente, a inseminação tem melhores resultados que o coito programado, quando associada à estimulação ovariana.