CAPA

A médica que enxerga além do que se sente

Dra. Letícia Daud e Dr. Carlos Alves Junior

Especialista em glaucoma e catarata, a oftalmologista Dra. Letícia Cantelli Daud Alves tem o olhar atento à família e aos pacientes e dedica-se com amor em tudo o que faz 

A descendência italiana e libanesa já nos indica uma pequena amostra de sua personalidade. É evidente que ela carrega dentro de si a alegria dos seus antepassados europeus misturada à facilidade em superar as adversidades, característica marcante do povo libanês. Mas é no significado do seu nome que reside sua melhor definição: “mulher que transmite felicidade”.
Dra. Letícia Cantelli Daud Alves é, para muitos de seus pacientes, a personificação do resgate da alegria, às vezes roubada por doenças como a catarata e o glaucoma.
Formada pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA, em SP) em 2000, ainda no terceiro ano de graduação conheceu a oftalmologia e se apaixonou. Fez residência, especializações e, desde 2006, integra a equipe do Hospital de Olhos de Cascavel, mesmo ano em que se casou com Dr. Carlos Alves Junior, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e responsável pelo Instituto da Pele. “Somos sócios e parceiros em tudo, tanto na vida pessoal quanto nos negócios. Embora nossas especialidades sejam diferentes, temos um perfil muito parecido, de ajudar, acolher e ser feliz naquilo que fazemos. Confio nele, é um profissional excepcional. Inteligente pra caramba e com grande facilidade para aprender”, revela a médica. 
“Começamos a namorar em 1995, dia 23 de setembro, no primeiro ano de Medicina. Foram seis anos de faculdade, depois mais cinco anos entre residência e especialização, e nessa época morávamos em cidades diferentes. Quando tudo acabou, ele falou que ‘de repente’ já queria casar, depois de 11 anos juntos”, relembra. 
“Na verdade, o Junior, antes de ser meu marido, era meu melhor amigo, aquele tipo de pessoa que dava vontade de chegar perto e contar as coisas, mesmo sem ele perguntar. É aquela história da tampa e da panela, sabe? Só que o Junior é mais emoção, e eu sou mais razão, e isso dá o equilíbrio”, reflete.
São quase 27 anos de amor e parceria que renderam também lindos frutos: Julia, de 14 anos e Carlos Eduardo, de 11. A Letícia mãe, como em tudo na vida, é certinha. “Sou presente, tento conversar e ser amiga. Também sou aquela que faz o café, leva à escola e busca, faz o jantar, leva à casa dos amigos, recebe os amigos... Só que também exijo responsabilidades com os estudos, organização da casa, respeito aos mais velhos, enfim, sou brava quando preciso ser”. 

 

O “lado P”, de plantas

Além dos cuidados com a casa, a família e seus pacientes, Letícia também dedica carinho e atenção às plantas. “Falo que elas contribuem com a minha sanidade mental. Todo mundo precisa ter um escape para o estresse do dia a dia, e o meu é lidar com as plantas. As pessoas falam que tenho o ‘dedo verde’ mas, na verdade, é aquela história de fazer com amor. Tiro o sapato, vou descalça, às vezes sem luva mesmo, e fico lá mexendo na terra. Gosto de flores, árvores frutíferas, e tenho minha hortinha bem diversificada com temperos, porque adoro cozinhar e preparar tudo com ingredientes naturais. Inclusive, as plantas que cultivo não são apenas aquelas que comprei, tem algumas que são heranças de família e muitas ganhei de amigos e pacientes”.

 

A oftalmologista, sócia, diretora e colega de trabalho

Desde 2011, Dra. Letícia faz parte do quadro societário do Hospital de Olhos de Cascavel e, atualmente, também é diretora do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) e responsável pelo Departamento de Glaucoma do hospital. 
É nesse estabelecimento que passa a maior parte do seu dia, liderando projetos, consultando e operando seus pacientes. A médica recorda sua participação na implantação do Banco de Olhos, uma entidade sem fins lucrativos, que recebe as doações, prepara e encaminha as córneas para a Central de Transplantes. Esse serviço abrange todo o Oeste e Sudoeste do Paraná e só pode ser feito por meio de investimentos constantes e uma equipe comprometida.
“Tecnologia de ponta, segurança, inovações e tudo o que existe de melhor no segmento de medicina oftalmológica o Hospital de Olhos adquire. Temos um planejamento anual de compras de aparelhos, de melhorias técnicas e de treinamentos para nossos colaboradores. Além disso, nosso corpo clínico está sempre em busca de aperfeiçoamento e preza pela excelência nos serviços prestados”, enfatiza Dra. Letícia. 
Em 2021, o hospital passou por um rigoroso processo de avaliação, mudanças e melhorias. Em janeiro de 2022, foi o único da área oftalmológica em Cascavel que recebeu o Certificado de Acreditação emitido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), um reconhecimento internacional dos altos padrões de atendimento para promover mais qualidade e segurança aos pacientes. 
O Hospital de Olhos já era referência no Paraná, agora também se destaca entre os melhores do Brasil. Atende pacientes de Cascavel, dos municípios vizinhos, de outros estados, como do Mato Grosso do Sul e Santa Catarina e, até mesmo, de outros países, como Paraguai e Argentina. 
Nos bastidores, a oftalmologista cultiva relacionamentos para fortalecer seu trabalho. “Eu gosto de conversar e interagir, não só com os pacientes, médicos e técnicos de enfermagem, mas também com as meninas da limpeza, da manutenção, da recepção, da TI, entre outros. Ajudo na organização de festas e confraternizações, participo, brinco, danço com nossos colaboradores, tiro os sapatos, fico até o encerramento e ainda vou comer lanche às quatro da madrugada com a turma (risos). É muito legal, porque, querendo ou não, a sociedade coloca o médico num patamar diferente. Por isso, procuro demonstrar que somos todos iguais, apenas com funções e responsabilidades diferentes”, relata. 

 

O inimigo mais cruel: glaucoma

A doença silenciosa, inicialmente assintomática, especialidade da Dra. Letícia, é a principal causa de cegueira irreversível e atinge cerca de 80 milhões de pessoas no mundo, das quais 10% apresentam cegueira permanente, de acordo com dados da Associação Mundial de Glaucoma. 
O olho contém um líquido que circula continuamente em seu interior, sendo produzido e escoado através de uma região chamada ângulo da câmara anterior. No glaucoma, há uma alteração entre a produção e o escoamento desse líquido, e ele acaba se acumulando dentro do olho, provocando o aumento da pressão intraocular, que, por sua vez, danifica as fibras do nervo óptico. 
Mesmo sendo uma doença causada, principalmente, por fatores genéticos, a oftalmologista alerta que o uso crônico de corticoides, a aplicação de colírios sem prescrição médica, o histórico familiar e traumas ou inflamações oculares aumentam os riscos. Mas, na maioria dos casos, o glaucoma acontece por conta dos processos degenerativos da idade. “É uma doença muito séria e, até o presente momento, não tem cirurgia com células-tronco, nem chip, nem óculos biônicos, nada que possa resolver a questão do glaucoma, e apenas o médico oftalmologista será capaz de identificar a doença mesmo sem a presença de sintomas”, explica Dra. Letícia. 
Por outro lado, a médica reforça que existem bons tratamentos, normalmente feitos com o uso de colírios, laser e cirurgias – recursos que podem impedir o avanço da doença, evitando a perda da visão. Por isso, é muito importante que qualquer pessoa acima dos 40 anos faça suas consultas periodicamente, já que o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de evitar a cegueira, ainda que a doença não tenha cura. 
“Sou muito clara e sincera com meus pacientes. Independentemente da idade, procuro orientar sobre os detalhes do diagnóstico e qual a melhor estratégia de tratamento para cada caso. Eu até brinco com eles que funciona como um casamento e sem direito a divórcio, principalmente nos casos de glaucoma, pois o paciente precisará de acompanhamento e cuidados a vida inteira. Dessa maneira, podemos conceder uma perspectiva de visão para esse paciente, evitando que ele fique cego”, reforça.
Entre os bons hábitos que ajudam os pacientes diagnosticados com glaucoma, está a prática de atividades aeróbicas como nadar, correr e pedalar. Isso porque elas regulam a pressão arterial e ajudam na vascularização dos olhos, contribuindo também para a regulação da pressão intraocular, que é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença.

 

O inimigo que podemos vencer: catarata

Cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo têm uma deficiência visual ou cegueira e, desse total, ao menos um bilhão de casos poderiam ser evitados com o tratamento correto, como no caso da catarata. Os dados são do Relatório Mundial sobre Visão, publicado pela Organização Mundial da Saúde em 2019. No caso desse mal, o único tratamento eficaz é a cirurgia. Não é possível curar a catarata utilizando medicamentos ou mesmo praticando atividades físicas regularmente.
“Existem vários tipos de catarata, como as de origem congênita, traumática, medicamentosa, diabética, entre outras. Todavia, a grande maioria não é patológica, mas uma consequência do processo de envelhecimento dos olhos, que provoca a perda de transparência das lentes naturais. Quando a lente é transparente, recebe o nome de cristalino. Mas, quando fica opaca, recebe o nome de catarata, e não permite que a pessoa enxergue com nitidez”, explica a oftalmologista. A maioria dos casos atendidos por ela é de pacientes com uma ou mais doenças oculares associadas. 
“Aquele paciente que não enxerga por causa da catarata e tem outra doença associada, que geralmente é o glaucoma, precisa de uma cirurgia de catarata especializada, para que a cirurgia de um problema não complique o outro. Outro tipo de paciente que atendo é pós-retina, aquele que fez a cirurgia de retina, mas em seguida teve uma catarata. São cataratas diferentes, mais complicadas, mas nem por isso impossíveis de garantir uma qualidade de visão e de vida ao paciente”.

 

Tudo o que você faz com carinho e sinceridade um dia retorna

Fazer o possível para garantir que seus pacientes não percam um dos cinco sentidos indispensáveis para uma vida plena é a missão de vida da Dra. Letícia. “Tudo o que você faz com carinho e sinceridade um dia retorna. Eu sou oftalmologista porque gosto e sou feliz fazendo isso. Por exemplo, o idoso, com o passar dos anos, perde mobilidade, audição, e o que resta para ele é a visão. Se você tirar isso dele, você tira o mundo desse idoso! Por isso, trabalhar com os olhos, glaucoma e catarata é um grande desafio, mas, ao mesmo tempo, muito gratificante”. 
E todo esse amor e dedicação em cada consulta e cirurgia são recompensados pelos próprios pacientes e seus familiares, pois reconhecem a importância da saúde da visão e valorizam a diferença que a doutora faz em suas vidas. “Teve uma senhorinha que me trouxe o primeiro crochê que ela fez quando voltou a enxergar. Outra operei aos 92 anos, e ela me convidou para a festa de seu aniversário de 100 anos. São milhares de histórias ao longo da carreira, que me enchem de alegria, me fazem acreditar que escolhi o caminho certo e permaneço nele. E tudo isso não tem preço”, conclui.
 

Dra. Letícia Cantelli Daud Alves
Oftalmologista
CRM-PR 22888 / RQE 14335

- Graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Catanduva - SP
- Residência em Oftalmologia pelo Hospital do Olho de Rio Preto (HORP-SP)
- Especialização em Catarata e Glaucoma (HORP-SP)
- Especialização em Lente de Contato pelo Instituto Cléber Godinho - MG 
- Título de Especialista em Oftalmologia pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) 
- Membro Efetivo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) 
- Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG)
- Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (BRASCRS)
- Membro Efetivo da Associação Paranaense de Oftalmologia (APO) 
- Presidente - Regional Oeste - da Associação Paranaense de Oftalmologia
- Oftalmologista no Hospital de Olhos de Cascavel 
- Preceptora no Serviço de Residência do Hospital de Olhos de Cascavel