SAÚDE NEWS

Editorias

Prevenção

15/05/2015
Biomarcadores ou Marcadores Biológicos

 Introdução
O uso de biomarcadores (BMs) analisados em laboratório, na rotina médica é recente, e as melhores abordagens para essa prática ainda estão sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas. O desafio é a determinação da relação entre qualquer biomarcador mensurável e resultados clínicos relevantes. As aplicações são tão comuns que a sua presença como parâmetros primários em ensaios clínicos é aceita quase sem questionar. Os BMs podem revelar tanto as condições normais, como as patológicas. No caso de BMs específicos que têm sido bem caracterizados e repetidamente mostrados para prever corretamente resultados clínicos relevantes, esta utilização é inteiramente apropriada e justificada. O termo BM foi introduzido em 1989, revisto em 2001 por um grupo de trabalho do NIH (National Institute of Health) e desde então, anualmente é discutido em congressos de várias especialidades médicas1.
O objetivo do artigo é considerar a situação atual conceitual de biomarcadores como ferramentas clínicas que podem ser medidos com precisão e de forma reprodutível. 
 
 
Definição
Existem várias definições mais precisas de biomarcadores na literatura e, que felizmente, se sobrepõem consideravelmente. Biomarcadores ou marcadores biológicos são entidades que podem ser medidas experimentalmente e indicam a ocorrência de uma determinada função normal ou patológica de um organismo ou uma resposta a um agente farmacológico2. Um BM ideal deve ter certas características que o tornam adequado, tais como: seguro e fácil de medir; modificável com o tratamento; consistente em todos os grupos étnicos e de gênero, custo baixo. Na prática os BMs mais relevantes em investigação médica são os marcadores bioquímicos que podem ser obtidos com relativa facilidade a partir de fluidos corporais e que estão à disposição dos investigadores. Muitos BMs têm sido propostos anualmente. 
A questão final e chave é a determinação da relação entre qualquer BM mensurável e os desfechos clínicos relevantes. Esta relação em princípio, atendendo a questão custo/benefício, suporta o uso racional destas ferramentas.

 
Biomarcadores e aspectos clínicos
Biomarcadores são por definição, características quantificáveis de processos biológicos. Nem sempre se correlacionam muito bem com os dados clínicos do paciente. Fica evidenciado que sua melhor utilização deve ser feita com intuito de avaliar a resposta terapêutica e o prognóstico associado a esta, por meio da avaliação dinâmica desse biomarcador, e não por dosagens pontuais. Diversos fatores podem influenciar em resultados laboratoriais que aparentemente são conflitantes com a clínica. A observação cuidadosa dos fatores pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos, focando especialmente nos medicamentos interferentes e a idade dos pacientes é importante evitando problemas de interpretação dos resultados. 
Há muito tempo existia um conceito de que os aspectos clínicos por si só eram soberanos, ou os únicos relevantes em toda a pesquisa biomédica. Da mesma forma alguns artigos descrevem que o paciente procura tratamento para as suas doenças, e não para as medidas numéricas (resultados de exames), que frequentemente, mas não perfeitamente, se correlacionam com as suas doenças3. Outras observações demonstram que na prática nem todos os sinais clínicos manifestam-se da mesma forma para cada doença e a todos os pacientes. Alguns exemplos de dados clínicos menos confiáveis, como sons de respiração, dor e alívio de sintomas reforçam em alguns momentos as fragilidades do conjunto de informações para compor situações clínicas definidas. 
Um aspecto que demonstra a relevância do assunto relaciona-se com a “medicina personalizada” que sugere uma abordagem que se baseia em indivíduos em vez de grupos. Não é um novo conceito em si. Desde os tempos antigos, características individuais eram consideradas. O termo medicina personalizada tornou-se novamente moda com o uso recente de informações genéticas sobre o indivíduo. A marca genética de um paciente prevê o sucesso do tratamento ou falha. Pode-se inferir que os BMs funcionam de forma satisfatória dependendo da individualidade de cada um. 
Os BMs podem confirmar a presença ou ausência de uma doença, fornecer informações importantes sobre a sua etiologia, mostrar a necessidade de intervenções e avaliar o prognóstico. 
 
 
Rua Pernambuco, 2450 - Coqueiral - CEP 85807-050 - Cascavel/PR - Fone: (45) 3224-7212 / 3038-7216 / 99972-4744 / 99931-8072
COPYRIGHT TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.