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15/09/2018
Angioplastia por via retrógrada reduz a necessidade de cirurgia cardíaca

A nova técnica noticiada pela Revista Veja em 2017, já foi realizada em Cascavel – PR, no ano de 2013, pelo Cardiologista e Hemodinamicista Dr. Eduardo Philippi

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a doença arterial coronariana é a segunda maior causa de mortes por doenças cardíacas no Brasil. Caracteriza-se pela obstrução dos vasos sanguíneos que irrigam o coração, devido ao acúmulo de placas de aterosclerose no interior dos mesmos, dificultando o fluxo do sangue até o músculo cardíaco. Quando o paciente evolui para uma obstrução total, pode desencadear a morte dos tecidos cardíacos e complicações graves: angina de peito, infarto do miocárdio, arritmia ou, até mesmo, morte súbita. Há muitos casos em que essa obstrução total é descoberta, sendo que o evento ocorreu há mais de três meses. A estas oclusões totais chamamos de crônicas. Quando apesar desta oclusão há ainda muito músculo do coração que não morreu e uma grande quantidade de isquemia, o paciente pode se beneficiar da revascularização deste vaso. A procura por métodos alternativos capazes de tratar oclusões totais crônicas, sem a necessidade de cirurgia aberta, foi o que motivou Dr. Eduardo Philippi a buscar aperfeiçoamento no Japão, no ano de 2012. Em seguida, em 2013, o cardiologista intervencionista implantou em Cascavel e região a moderna Técnica de Angioplastia por via retrógrada associada ao Cart Reverso para o tratamento de obstruções crônicas. Além de seu amplo conhecimento e habilidades, o médico precisou adquirir cateteres e fios metálicos específicos, desenvolvidos especialmente para este tipo de procedimento e, também pôde contar com tecnologias de suporte de imagem, como o ultrassom intracoronário e a tomografia cardíaca, capazes de guiar a perfuração de uma obstrução com maior precisão. O método é possível através da denominada abordagem retrógrada e trata-se de uma evolução no aprimoramento da angioplastia tradicional. Quando ministrado por um profissional experiente, a taxa de sucesso chega a 90% na recanalização de obstruções totais crônicas, contra cerca de 50% tendo-se disponível somente o método tradicional.
A Revista Veja noticiou, em julho de 2017, que segundo um cardiologista intervencionista do Hospital Albert Einstein a técnica do CART reverso tinha recentemente sido realizada no Brasil e a abordagem retrógrada tinha chegado “há cerca de dois anos” . Publicou também que o Dr. Satoru Sumitsuji, professor titular da Divisão Internacional de Cardiologia para a Educação e Pesquisa da Universidade de Osaka, esteve neste mesmo ano em Florianópolis (SC) onde demonstrou a técnica durante o II SOS Cardio Complex Coronary Interventions Live, realizado no Hospital SOS Cárdio, para 20 cardiologistas dos principais hospitais do país. Essa notícia possibilita uma reflexão: o elevado grau de excelência dos médicos de Cascavel e, nesse caso em especial, a cardiologia intervencionista. Pois o Dr. Eduardo Philippi utiliza a angioplastia com CART reverso e abordagem retrógrada desde 2013, ou seja, quatro anos antes da data em que o assunto foi noticiado pela Revista Veja. O experiente hemodinamicista ministrou uma apresentação deste caso, durante o congresso da Sociedade Paranaense de Cardiologia, na cidade de Curitiba em julho de 2018. Profissionais altamente capacitados e empoderados com tecnologia de ponta e infraestrutura permitem que a medicina cardiológica do oeste paranaense seja comparada ao mesmo padrão de qualidade dos grandes centros do país e do mundo.

Como funciona a angioplastia por via retrógrada?
Tradicionalmente, a desobstrução de oclusão coronariana crônica é realizada da porção proximal para distal (anterógrada), no sentido do fluxo sanguíneo. Mas a moderna técnica de CART reverso, de origem japonesa, consiste na desobstrução da porção distal para proximal (retrógrada) através da passagem dos materiais pela circulação colateral. O método estando disponível ao profissional proficiente agrega maior probabilidade de sucesso, pois na via de sentido contrário ao fluxo sanguíneo, a placa tem menos fibrose e cálcio, o que facilita a abertura com o cateter e a colocação do stent e evita a dissecção distal do vaso.
“A técnica exige conhecimento e experiência do cardiologista intervencionista, pois é necessário atingir o leito distal da coronária que tem a oclusão através da técnica retrógrada e com duas guias uma na porção proximal e outra na distal se faz uma dilatação proximal na placa que facilita a ultrapassagem da guia distal atingindo a luz verdadeira proximal do vaso. Deste modo conseguimos implantar o stent, com taxa de sucesso que não seria possível somente com os outros métodos convencionais”, explica Dr. Eduardo.

Quando o procedimento é indicado?
Em pacientes com obstrução cardíaca total crônica; isto é, quando uma artéria, encontra-se há mais de três meses, totalmente obstruída pelo acúmulo de placas ateroscleróticas que contém colesterol, tecido fibroso e outras substâncias, como o cálcio; evidências de isquemia significativa com ou sem angina (dor ou desconforto no peito), falta de ar e cansaço; quando a administração de medicamentos poderá não ser suficiente no tratamento dos sintomas e isquemia ocasionados pela obstrução crônica. A angioplastia por via retrógrada com ou sem utilização do CART, é uma das alternativas viáveis no tratamento da oclusão coronariana total crônica quando o método convencional não foi possível, podendo reduzir assim a necessidade de cirurgia cardíaca e promovendo mais qualidade de vida ao paciente.


Dr. Eduardo Frederico B. Philippi
CRM-PR 16036
Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
RQE 19
Formou-se em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, especializou-se em Cardiologia no Hospital Beneficência Portuguesa - São Paulo. Trabalhou em Curitiba no Hospital da Santa Casa , onde também se especializou em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. Em 2002 mudou-se para Cascavel.