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15/07/2018
Alterações do sono no idoso

Quando falamos em idoso, logo associamos à imagem de alguém de cabelos branquinhos, magro, já apresentando limitações físicas. Porém, essa realidade nem sempre combina com nossos pais que, muitas vezes, são totalmente ativos com idade acima de 65 anos, mas não escapam das frequentes queixas em relação ao sono: insônia, roncos e a sonolência diurna que muitos até acham que é “normal”.
Após a década de 70 com os estudos que fundamentaram a medicina do sono passamos a entender que o sono é um estado fisiológico, indispensável ao bom desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos. O sono apresenta mudanças durante os diferentes estágios da vida: no bebê temos mais de 50% de sono profundo e com tempo total de sono chegando a 18 horas por dia, enquanto quem tem mais de 65 anos apresenta uma redução do sono profundo, menor tempo total de sono e maior fragmentação do mesmo. O que isso quer dizer? Que talvez a principal queixa dessa faixa etária em relação ao sono não seja um distúrbio, mas sim uma alteração natural, pois quando envelhecemos dormimos menos horas e temos a tendência de acordar durante a noite! Todavia, não significa que não existam problemas do sono: é justo nessa população que se apresenta maior prevalência de apneia obstrutiva do sono e distúrbios comportamentais do sono REM.
Pesquisas apontam que mais de 60% dos homens e 40% das mulheres com mais de 60 anos de idade sofrem da apneia do sono. Essas pausas respiratórias que ocorrem geralmente associadas aos roncos se relacionam a várias complicações de saúde como, por exemplo: hipertensão arterial, diabetes, depressão, doenças cardíacas, ansiedade, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e Alzheimer. Sabe-se que devido à redução intermitente de oxigênio as células de todo o corpo sofrem. Já a insônia deve ser cuidadosamente avaliada no idoso. Muitos idosos se queixam de redução do tempo de sono, mas na realidade apresentam avanço das fases do sono e despertares. O déficit de sono presente nos pacientes idosos pode originar alterações psíquicas, diminuição do aprendizado e da capacidade laboral; maiores riscos de acidentes de trabalho e trânsito; aumento da taxa de mortalidade por transtornos isquêmicos (de irrigação) do coração, do cérebro e câncer.
Assim, se seu amado pai ou outra pessoa com mais de 65 anos, apresentar queixas de dificuldades para dormir, roncos e problemas de coração ou de memória leve-o para uma avaliação com o médico especialista em medicina do sono.