SAÚDE NEWS

Editorias

Prevenção

15/07/2018
Reganho de peso após a cirurgia bariátrica: estratégias para evitá-lo

A incidência da obesidade aumentou muito nos últimos anos, a ponto de ser considerada um problema de saúde pública. As principais causas da obesidade são hábitos alimentares errados, pouco gasto energético, pouca ou nenhuma atividade física, distúrbios genéticos e fatores psicológicos. São vários os tratamentos da obesidade, desde reeducação alimentar até cirurgia bariátrica. Esta última tem se mostrado o método mais eficaz no tratamento para pacientes obesos, por permitir uma perda de peso sustentável e a cura de várias comorbidades causadas pela doença. A perda de peso após a cirurgia é atribuída a uma redução significante na ingesta calórica. Porém, é importante salientar que o procedimento é muito mais que o ato cirúrgico em si.
É essencial o acompanhamento com uma equipe multiprofissional, que, geralmente, inclui endocrinologistas, nutricionistas, cardiologistas, pneumologistas, psiquiatras, psicólogos e cirurgiões gastroenterologistas. Esse acompanhamento deve acontecer no período pré-cirúrgico e pós-cirúrgico, sendo em longo prazo e é de extrema importância, para que a perda de peso ocorra de forma saudável e que o paciente obtenha sucesso no tratamento. Infelizmente, alguns pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico vêm a reganhar parte do peso após algum tempo de operação. Por este motivo, a manutenção do peso e o acompanhamento com um nutricionista é um ponto importante a ser discutido. Sabe-se que após o segundo ano da operação, o índice de pacientes que reganham algum peso é alto e a perda de peso é um dos principais parâmetros para que se possa definir a cirurgia bariátrica como um sucesso ou não.
Dentre os fatores que influenciam o reganho de peso, está a não adesão ao tratamento nutricional e a dieta, a não modificação do estilo de vida, a inatividade física e aspectos psicológicos. Segundo a ABESO (2016), mais de 50% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica poderão apresentar reganho de peso, por isso é importante saber até que ponto esse reganho ainda está dentro da normalidade. É considerado aceitável um aumento de 5 até 10% do peso perdido com o procedimento.
Acredita-se que o principal motivo do não comparecimento às consultas nutricionais no pós-operatório, é porque o paciente acha que não necessita de acompanhamento em longo prazo e é capaz de fazer tudo sozinho. Quatro principais erros extremamente básicos que os pacientes cometem, sendo esses decisivos para o reganho de peso: o belisco de alimentos calóricos durante o dia (como petiscos, bolachas, biscoitos, salgadinhos, entre outros), a alta ingestão de alimentos rápidos e fáceis, que não requerem muito preparo, o uso exagerado de bebida alcóolica e a falta de atividade física. Além dos fatores supracitados, sabe-se também que ocorrem mudanças adaptativas fisiológicas algum tempo após a operação, e que isso pode influenciar no reganho de peso, o que novamente reitera a importância do acompanhamento com a equipe multidisciplinar.
Um estudo mostrou que após 24 meses de operação, a produção de hormônios orexígenos entra numa fase de readaptação, o que causa uma diminuição da perda de peso, consequentemente, facilitando o reganho. Outro motivo bastante influenciador do reganho de peso é a dilatação gástrica que ocorre com o passar do tempo, pois se sabe que o estômago é um órgão que tem capacidade de aumentar conforme o volume ingerido. Mais uma vez, se prova necessário o acompanhamento em longo prazo, para que se possa garantir ingesta adequada de alimentos, considerando qualidade e quantidade.
Em 2010, Stewart propôs algumas medidas para auxiliar os pacientes que obtiveram reganho de peso. Em seu trabalho, intitulado como Back on Track, Stewart propõe que pacientes retomem os hábitos adquiridos no início da fase pós-operatória, e que são facilmente esquecidos, porém muito importantes ao longo do tratamento. Dentre eles, o autor cita a mastigação adequada, escolhas alimentares com a ajuda do profissional nutricionista e a identificação do conflito psicológico com profissionais psicólogos e psiquiatras.
A adesão de um estilo de vida novo, diferente do que o paciente costumava ter antes da cirurgia bariátrica, é apontado por diversos autores como o principal fator que influencia o sucesso da operação. Deve-se adotar uma dieta equilibrada com acompanhamento e instruções de um profissional nutricionista, prática de atividade física regularmente e, em alguns casos, o acompanhamento psicológico também se faz extremamente eficaz.
Sabe-se que a cirurgia bariátrica é considerada um procedimento comportamental, e, para manter os resultados, o paciente precisa mudar sua visão e postura com a alimentação. Descobrir o culpado pelo reganho de peso é o principal e primeiro objetivo que deve ser traçado pelo paciente junto com o profissional nutricionista que o estiver acompanhando. É importante reiterar que, sozinha, a cirurgia não cura a obesidade, ela é apenas uma das ferramentas que, junto com outras terapias auxiliadas por profissionais adequados, leva à perda de peso e à manutenção da mesma em longo prazo.


Nutricionista Karime El Hamoui
Formada pelo Centro Universitário Assis Gurgacz
Inscrita no CRN-PR com o número 11311/P
Centro Integrado de Medicina, 2680, Sala 07
(45) 99104-2828
karimeelhamoui@gmail.com



REFERÊNCIAS:
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA - ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade. São Paulo, ed. 4, 2016.
2. HERPERTZ, S.; KIELMANN, R.; WOLF, A.M.; HEBEBRAND, J.; SENF, W. Do psychosocial variables predict weight loss or mental health after obesity surgery? A systematic review. Obesity Research. Dortmund, v. 12, n. 10, out. 2004.
3. RODRIGUES, A. P. S. Correlação e associação de renda e escolaridade com condições de saúde e nutrição em obesos graves. Revista Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 20, n.1, p. 165-174, jan. 2015.
4. SILVA, R. F.; KELLY, E. O. Reganho de peso após o segundo ano do Bypass gástrico em Y de Roux. Brasília: UNB, 2014.
5. SOUZA, M. E. M. D. de. Cirurgia Bariátrica: causas do reganho de peso no pós-operatório. Brasília: UniCEUB, 2014.
6. STEWART, K. E. Back on track: confronting post-surgical weight gain. Bariatric nursing and surgical patient care. v.5, issue 2: 8 jun. 2010.