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15/05/2018
Faça as pazes com o seu corpo

Como você se vê?

Ela tinha cinco anos quando chorou pela primeira vez por não ser magra. Na aula de balé se comparava às outras meninas. Lá pelos seis ou sete anos se escondia com o uniforme grande do colégio. Aos oito sentia-se “barriguda” quando usava roupas típicas da tradição gaúcha, em especial as saias que marcavam sua cintura. Com 12, chorou desesperadamente por não entrar em uma calça jeans 36 e foi quando iniciou a primeira dieta. Passou pela juventude e entrou na idade adulta viciada: diuréticos e remédios para emagrecer. Chegava a subir seis vezes por dia na balança e se submeteu a três cirurgias de lipoaspiração. Você pensa que é frescura? E que se trata de uma pessoa obesa? Mas não... A jornalista e escritora, Daiana Garbin, 36 anos, 1,70 de altura, atualmente pesa em torno de 70 quilos e foi diagnosticada com transtorno alimentar não especificado e transtorno dismórfico corporal. Na primeira situação o indivíduo possui um comportamento desequilibrado em relação à comida, o que gera sofrimento profundo e danos à saúde física e mental. No segundo caso, a pessoa não se enxerga como realmente é, ou seja, uma distorção da própria imagem. Além disso, possui uma preocupação excessiva com os defeitos e a aparência.
Daiana por mais de 20 anos viveu em guerra com o próprio corpo, odiando suas curvas, quadril largo e estrutura grande. Até o momento em que conseguiu compreender que estava doente. Em abril de 2016, pediu demissão do emprego como repórter da Rede Globo em São Paulo, começou a estudar e criou o canal no YouTube “Eu Vejo”, com o objetivo de informar e discutir sobre. Também se dedicou ao livro “Fazendo as Pazes com o Corpo”, lançado em novembro de 2017, que tem como chamada de capa: “Uma jornada para vencer a relação doentia com a comida e obsessão pela forma perfeita”.
No dia 26 abril, a jornalista esteve em Cascavel para falar sobre o assunto em uma palestra promovida pela Associação de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Oeste do Paraná , e foi realizada no Centro Universitário Univel. Assim como em seu canal e livro, Daiana apresentou depoimentos de outras mulheres, médicos, psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Também expôs dados, informações de especialistas e as influências midiáticas que contribuem para estes problemas. Além disso, relatou com toda sinceridade, honestidade e até bom-humor, os episódios traumáticos que passou e seu processo de cura.

DAIANA GARBIN

“Eu queria ser magra, acima de qualquer coisa e sempre achei isso normal. No meu caso, o transtorno alimentar considera-se não especificado porque não se encaixa nem na anorexia, bulimia ou compulsão alimentar. Então, nesse ‘meio campo’ não sabia que estava doente. Minha visão sobre meu corpo e minha relação com a comida era totalmente doentia. Mas eu pensava: só quero ser magra. A Daiana doente achava que o corpo perfeito era o esquelético. Hoje entendo o quanto isso é problemático. Sei que o importante é ter um corpo saudável fisicamente e emocionalmente, fortalecendo a autoestima, a autoconfiança e entendendo o nosso valor como ser humano. Somos muito além da nossa aparência, porém a sociedade esqueceu isso. Vivemos das redes sociais, mídia e moda que nos mostram corpos perfeitos e disputas por likes. Isso contribui muito para o adoecimento, principalmente, na adolescência, mas esses não são os únicos fatores. Existem condições biológicas, genéticas, socioculturais, psicológicas e emocionais. Eu queria que as pessoas, especialmente as mulheres, percebessem que nosso corpo não é uma massinha de modelar. Temos carne, osso, gordura, estrias, celulite... nada de perfeição. Precisamos nos cuidar, nos respeitar e aceitar nossas vulnerabilidades. Nosso corpo é lindamente imperfeito e só o que precisamos pra ser feliz!
Ame-se!”