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15/03/2018
Sono das crianças

Dra. Carolina Ferraz de Paula Soares

Se dormir é fundamental para a manutenção da saúde, quando falamos das crianças devemos lembrar que o sono é imprescindível para um adequado desenvolvimento neuropsicomotor. Os ciclos de sono nas crianças são mais longos e mais ricos nas fases profundas. Durante a fase profunda do sono chamada de “sono de ondas lentas”, há liberação de 90% do hormônio do crescimento (GH) e na fase profunda chamada REM (Rapid Eyes Movement) há enormes atividades cerebrais aumentando as sinapses, o que se relaciona à memória e capacidade cognitiva. Também durante o sono ocorre a síntese de anticorpos, proteínas e regulação metabólica, o que influencia diretamente na imunidade, ganho de peso, altura e estado emocional. Se seu filho, sobrinho, neto ou aluno tem ficado irritado, tem dificuldade para começar a dormir, dorme até tarde pela manhã, é hiperativo e precisa de cochilos fora de uma rotina, leia toda a coluna e tente ajustar as mudanças ou fazer as investigações necessárias.

O que pode atrapalhar o sono dos nossos “anjinhos”?
- Restrição do sono
Com certeza hoje o maior desafio na hora de dormir das crianças é a privação do sono. O ritmo de vida moderno introduziu péssimos hábitos nas horas que antecedem o sono, como o uso da TV, jogos em videogames e computadores, tablets, além dos celulares. A exposição a telas atrasa o sono por estimular a criança, muitas vezes a envolvendo em situações geradoras de ansiedade (acabar uma fase do jogo, conseguir uma foto legal para postar, ou até, uma competição entre os pares para ver quem dorme mais tarde), mas as telinhas também atrasam o sono por inibirem a liberação da melatonina, hormônio fundamental para manutenção do sono. O corre-corre da vida diária também reduziu o tempo em que pais e filhos ficam juntos em casa no final do dia, é cada vez mais frequente que tanto adultos como crianças tenham atividades após as 19 horas, se alimentando e tomando banho após as 21 horas. O convívio em família num ambiente harmônico é muito pequeno. Diversos estudos ao redor do mundo foram feitos para indicar o tempo ideal que uma criança deve dormir, veja:
• Lactentes dos 4 aos 12 meses: 12 a 16 horas por 24 horas (incluindo cochilos);
• Crianças de 1 a 2 anos: 11 a 14 horas por 24 horas (incluindo cochilos);
• Crianças de 3 a 5 anos: 10 a 13 horas por 24 horas (incluindo cochilos);
• Crianças de 6 a 12 anos: 9 a 12 horas sono noturno por 24 horas;
• Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas sono noturno por 24 horas.
O custo de se adaptar ao padrão de vida moderno pode ser a saúde e desenvolvimento das crianças. Isso é uma questão muito melhor resolvida em países no hemisfério norte, onde até mesmo os horários de aula proporcionam uma melhor adequação. Lá geralmente as aulas ocorrem das 8h30 até às 16 horas.

- Distúrbios respiratórios do sono
Quando a criança ronca e tem uma respiração muito “pesada” constantemente pela boca, é provável que ela tenha períodos de falta de oxigenação intermitentes. Para tentar compensar essa falta do oxigênio o cérebro desperta a criança várias vezes durante a noite, tornando o sono agitado e não permitindo que ela realize os estágios profundos do sono. Alguns estudos correlatam roncos habituais aos baixos rendimentos escolares. Além disso, muitas vezes essa dificuldade está associada à presença de aumento da adenoide e amígdalas e, até mesmo à presença de rinite.

- Distúrbios do sono da infância - sonambulismo, terror noturno, enurese, bruxismo e insônia.
Além desses dois problemas citados, aproximadamente 30% das crianças apresentaram pelo menos uma vez a PARASSONIA. As parassonias são “falhas” no relaxamento corporal durante a transição do estágio 2 do sono para o estágio de ondas lentas; nessa falha a criança reage aos sonhos e pode falar (o solilóquio), caminhar e ter movimentos como se estivesse acordada (sonambulismo) ou até crises de gritos e agitação (o terror noturno).
Cerca de 15% das crianças em torno dos 5 anos podem sofrer com o escape da urina durante a noite. Isso tende a ocorrer nas primeiras horas de sono, mas pode acontecer em qualquer horário. Quando isso se torna frequente, é necessária uma avaliação.
A insônia na infância não é frequente e muitas vezes é confundida com restrição do tempo de sono e/ou hábitos inadequados relacionados ao sono. É importante afastar a presença de condições orgânicas que gerem dificuldade para manter o sono: doenças respiratórias, febre, otite, traumatismos, início da dentição, alergia ao leite, refluxo gastroesofágico, entre outros.

- O que fazer para garantir uma boa noite de sono?
1. Promover um horário regular de deitar a criança todos os dias mantendo essa regularidade aos fins de semana, com uma diferença máxima de 30 minutos;
2. Ter uma rotina de deitar estabelecida com um ritual que precede a ida para a cama sempre idêntico (vestir o pijama, lavar os dentes, contar uma história);
3. Deitar a criança ainda acordada permitindo o uso de objeto de transição como uma fralda, chucha ou boneco;
4. Evitar adormecer em local que não seja a própria cama;
5. Evitar atividade estimulante antes de adormecer como exercício físico;
6. Não permitir a utilização de TELAS (televisão, celular, tablet ou consoles de jogos) antes de adormecer.

Nossos pequenos precisam de cuidados e orientação para garantirem uma boa noite de sono, quando os pais acreditam já ter realizado tudo corretamente e mesmo assim a criança não consegue dormir adequadamente é a hora de procurar ajuda especializada.
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