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15/03/2015
Diagnóstico Laboratorial da Toxoplasmose

Dr. Alvaro Largura

O protozoário Toxoplasma gondii é o agente etiológico da toxoplasmose. O gato é o hospedeiro definitivo, e o homem, suínos, ovinos, caprinos, aves, cães e a maioria dos vertebrados são hospedeiros intermediários.
Os alimentos vegetais contaminados com oocistos e os de origem animal com cistos são os maiores responsáveis pela infecção humana. O Toxoplasma gondii pode parasitar todas as células nucleadas, as manifestações clínicas podem ser muito variáveis, tais como: coriorretinites, miocardites, pericardites, pneumonias, miosites, meningoencefalites, hepatites, ocorrendo isoladamente ou combinadas, certas vezes difusas, vistas em pacientes portadores de imunodeficiências ou recebendo terapêutica imunossupressora. O problema mais sério resultante da infecção por Toxoplasma gondii é a transmissão congênita do parasita ao feto durante a gravidez. O comprometimento fetal severo pode acarretar a morte do feto, a morte do recém-nascido ou a enfermidade congênita, expressa por uma tríade de sintomas: hidrocefalia ou microcefalia, coriorretinite e calcificações cerebrais. A transmissão congênita transplacentária da toxoplasmose depende basicamente da existência de infecção aguda na etapa gestacional. Quanto menor a idade gestacional, maior o risco de comprometimento fetal, sendo que o comprometimento mais grave ocorre no primeiro trimestre da gestação. Geralmente, o início da infecção pelo Toxoplasma gondii é insidioso, caracterizando-se por febre, adinamia e adenopatia, principalmente cervical, entretanto, frequentemente ocorre na forma subclínica, com sintomas leves e inespecíficos.
O diagnóstico da toxoplasmose não poderá ser estabelecido somente com base em dados puramente clínicos. Há sempre necessidade da confirmação laboratorial e a correta interpretação dos resultados.
O diagnóstico sorológico (laboratorial) de Toxoplasmose, geralmente, não apresenta problemas de interpretação para indivíduos imunocompetentes, mas existem quatro grupos de indivíduos em que o diagnóstico da toxoplasmose é mais crítico: mulheres grávidas que adquirem a infecção durante a gestação, os fetos e recém-nascidos que estão infectados congenitamente, doentes imunocomprometidos e aqueles com corioretinite (1).
Embora o diagnóstico de pacientes em cada um destes quatro grupos tem dificuldades por certo número de problemas, o desafio mais frequente encontrado em todo o mundo é a forma de determinar se uma mulher grávida adquiriu a infecção aguda durante a gravidez.
A triagem para toxoplasmose congênita é baseada principalmente na triagem sorológica de mulheres soro negativas grávidas (IgG e IgM não reagentes) no início da gravidez e o seu monitoramento.
Classicamente o primeiro anticorpo produzido na infecção primária é da classe IgM, em seguida acompanha a produção de anticorpos da classe IgG. Os anticorpos IgM permanecem presente em altos níveis em um período curto (até 8 semanas), desaparecendo ou ficando presente em baixos níveis até 2 anos. Os anticorpos IgG permanecem presentes por longo período e na maioria das vezes a vida inteira. Desta forma, teoricamente a presença de anticorpos IgM indicava infecção aguda ou recente e a presença somente de anticorpos IgG  significa infecção passada (pregressa). Entretanto, as pesquisas de anticorpos da classe IgM também  estão se tornando cada vez mais sensíveis e precoces, detectando níveis baixos de anticorpos da classe IgM, em alguns momentos considerados não específicos ou residuais.

Avidez de IgG
A determinação da avidez de IgG é um método sorológico de diagnóstico utilizado para diferenciar uma infecção recente (aguda) de uma infecção pregressa (passada) com Toxoplasmose. O teste de avidez para anticorpos IgG tem grande importância, principalmente e, quase que exclusivamente, em pacientes grávidas que apresentam simultaneamente anticorpos das classes IgM e IgG no exame pré-natal. Nessa situação, a determinação do tempo de infecção é de extrema importância, pois pode definir a necessidade de tratamento caso a infecção tenha ocorrido durante a gravidez, ou tranquilizar a gestante e o médico, caso a infecção tenha ocorrido antes da gravidez.
Um índice de avidez menor que 35%, infere que se trata de uma infecção primária adquirida nos últimos três a quatro meses. A faixa entre 35% e 40% é definida como inconclusiva. Neste caso, é necessário repetir o teste. Se confirmado o resultado, não é possível determinar o momento da infecção. A presença de alta avidez de IgG, maior que 40% exclui a possibilidade de que a infecção ocorreu há poucos meses.

Referências Bibliográficas:
1.REMINGTON J.S., THULLIEZ P., MONTOYA J.G. Recent Developments for Diagnosis of Toxoplasmosis doi: 10.1128/JCM.42.3.941-945.2004 J. Clin. Microbiol. vol. 42 no. 3 941-945, 2004.
2.FLORI P., CHENE G., VARLET M. N, TRAN MANH SUNG R. Sérologie de la toxoplasmose chez la femme enceint: caractéristiques et pièges. Annales de Biologie Clinique. Vol 67, 2,15-33,2009.

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