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15/07/2017
CERATOCONE: conheça o problema e saiba como e com quem tratá-lo

Informe Publicitário

Um dos problemas que causam maior prejuízo funcional aos pacientes em idade produtiva é o ceratocone. A doença de causas genéticas evidentes, mas com fatores ambientais que a agravam, acomete a córnea: camada dos olhos que forma uma lente responsável por focalizar os raios de luz a formar a imagem. Como a córnea se afina e fica abaulada (irregular), as imagens formadas no olho do portador da doença são distorcidas, duplicadas e com borramentos principalmente nas partes inferiores. As luzes do ambiente se dispersam e cada ponto luminoso assume a forma de estrela, causando sensibilidade luminosa aumentada. Alguns pacientes podem apresentar alteração na percepção de cores.
O início do problema normalmente se dá na passagem da infância para a adolescência e progride até por volta dos 30 anos de idade. O ato de coçar os olhos, esfregá-los ou mesmo dormir de bruços pressionando o globo ocular sobre o colchão, travesseiro ou os braços, agrava o problema. Por isso, pacientes com rinite alérgica ou outras alergias são mais propensos a ter o problema, por coçar e atritar os olhos.
Felizmente, existe tratamento para o ceratocone e para cada estágio há uma escolha correta de terapia. O crosslinking da córnea é o único procedimento capaz de segurar a progressão do ceratocone, porém não o elimina. Nele é aplicada uma substância fotossensível que permeia as camadas da córnea e em seguida aplicada uma irradiação luminosa. Nesse processo, as fibras de colágeno corneanas criam ligações fortes entre si, o que impede a progressão do afinamento e da deformidade da córnea.
Já para a correção visual, primeiramente usa-se óculos. Nos casos em que os óculos não permitem uma nitidez de visão, parte-se para a adaptação de lentes de contato rígidas. Estas já têm vários tamanhos e curvaturas, e as chamadas lentes semiesclerais e esclerais vieram recentemente para dar muito mais conforto e menos sensibilidade para os pacientes.
Nos casos em que as lentes não são suportadas ou não é possível adaptá-las, podem-se implantar anéis na espessura da córnea (anéis corneanos). Os anéis corneanos forçam a córnea a tomar um formato mais regular. Assim, o paciente consegue ter uma melhor visão, normalmente usando óculos para chegar a uma nitidez mais acurada. Em alguns casos em que a córnea não está tão afinada é possível regularizá-la com a aplicação de protocolos recentes de laser (chamados tratamentos “topoguiados”), muitas vezes livrando o paciente do uso das lentes.
Já nos casos em que a córnea não suporta nenhum dos tratamentos anteriores ou tem cicatrizes, o paciente tem a opção do transplante de córneas. Hoje o mais usado para o ceratocone é o transplante lamelar anterior profundo (DALK) pela técnica chamada Big Bubble, no qual o cirurgião retira as camadas mais externas da córnea e deixa o endotélio do paciente intacto. Assim, a durabilidade do transplante é muito maior e as chances de rejeição diminuem drasticamente.
O especialista em córneas vai te auxiliar a identificar e estadiar seu problema, indicando o melhor método de tratamento. Procure sempre um profissional habituado e experiente nas técnicas mais atuais de transplante e nos métodos corretivos mais novos para ter o melhor resultado para os seus olhos.


Dr. José Henrique Casemiro
Graduação: Medicina (UEM )
Residência Médica: Oftalmologia (Hospital Angelina Caron)
Subespecialização: Córneas e Doenças Externas (Escola Paulista de Medicina)
Especialista e Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
CRM-PR 24536 | RQE 2028