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15/03/2017
Lombalgia e a acupuntura

A lombalgia, ou dor baixa da coluna, é responsável por grande parte das consultas médicas nos dias atuais, seja ao clínico ou ao ortopedista. Acomete de adultos jovens a idosos, e pode ser aguda e leve ou crônica, incapacitante e prejudicar a qualidade de vida do paciente. Os estudos mostram que pelo menos ¼ dos adultos norte-americanos terão experimentado a lombalgia por pelo menos um dia nos últimos noventa dias. Também revelam que aproximadamente 90% da população mundial experimentará pelo menos uma crise de dor lombar incapacitante em sua vida.
A última grande publicação sobre o assunto, e que foi usada para elaborar o último guideline (guia) para tratamento desta patologia, foi realizada pelo American College of Physicians e reuniu sistematicamente os maiores estudos randomizados, controlados e as revisões anteriormente realizadas até o ano de 2015. Nesta iniciativa se comparou o resultado do tratamento em relação à redução ou eliminação da dor; melhora da função e qualidade de vida; retorno ao trabalho; melhora dos intervalos de crises de dor; satisfação do paciente e efeitos adversos aos tratamentos. Também foi realizada a sistematização da dor de acordo com a duração dos sintomas, causa potencial, presença ou ausência de sintomas radiculares (formigamento de membros inferiores, perda de força, alteração de reflexos), localização dos sintomas e alterações ao RX. Foram avaliadas na terapêutica o uso de anti-inflamatórios não hormonais, corticosteroides, analgésicos (incluindo os opioides), relaxantes musculares, antidepressivos, osteopatia, coletes e órteses, calor local, exercícios (musculação, pilates, yoga, tai chi), fisioterapia e acupuntura.

Os resultados obtidos nesta revisão, colocam o guideline resumidamente com as seguintes recomendações:
• Dores agudas o subagudas, com ou sem ciática associada, devem ser tratadas com medidas individuais não farmacológicas como calor, osteopatia, acupuntura e modalidades fisioterapêuticas. Se o tratamento farmacológico for exigido pelo paciente, apenas relaxantes musculares (1ª opção) e anti-inflamatórios não hormonais deveriam ser utilizados, com a chance de efeitos colaterais como intolerância gástrica e sono que devem ser explicados pelo médico. Além disso, de extrema importância, seria orientar o paciente a estar o mais ativo possível.

• Dores crônicas têm como 1ª linha de tratamento as modalidades não farmacológicas, que devem ser aplicadas de forma multidisciplinar envolvendo calor, osteopatia, acupuntura, fisioterapia, orientações individualizadas do que é permitido fazer ou não fazer. Somente estas medidas são capazes de diminuir ou sanar a dor quando aplicadas em conjunto e por profissionais habilitados. O tratamento farmacológico deve ser utilizado se não houver alívio da dor, com o uso de anti-inflamatórios não hormonais, relaxantes musculares e ou opioides. Posteriormente, atividade física direcionada, medicação complementar e fisioterapia, se necessário para reabilitação.
Diante deste guideline ainda proponho uma reflexão direcionada à prevenção na lombalgia, que conhecidamente envolve atividade física rotineira, proporcionando o fortalecimento da musculatura abdominal, paravertebral e de quadríceps, além do alongamento de cadeia posterior (coluna e musculatura posterior de coxa). Também requer cuidados com o ganho de peso, para não haver sobrecarga da coluna, e uma alimentação saudável, evitando alimentos ácidos, industrializados e ricos em glúten, para que não exista um estímulo externo à piora do processo inflamatório. Uma avaliação da postura do paciente no trabalho e em suas atividades diárias também deve ser realizada por um profissional habilitado, diminuindo as chances e os riscos de uma crise de dor lombar ou de outras doenças musculoesqueléticas relacionadas.