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17/03/2017
Pesquisa aponta que uma em cada dez mulheres sente dor durante sexo

Ginecologia
Aproximadamente 10% das mulheres possui dispareunia, uma condição que causa dor durante e após a relação sexual. A afirmação é o resultado de um estudo britânico, que entrevistou 7.000 mulheres sexualmente ativas com idades entre 16 e 74 anos na Grã-Bretanha. A pesquisa sugere que o incômodo é comum e afeta mulheres de todas as idades.
A dispareunia se caracteriza por dores no sexo envolvendo penetração, que estão geralmente associadas ao ressecamento vaginal, ansiedade e falta de prazer. De acordo com a ginecologista e obstetra, Vanessa Pedreiro Krüger, os sintomas da patologia são dor no intróito, meio ou fundo da cavidade vaginal, que pode ser sentida durante ou após o ato sexual.
O estudo, que envolveu os departamentos de ciências da saúde, ginecologia, psicologia e psiquiatria de cinco universidades britânicas, mostrou que as dores durante a relação sexual eram mais comuns entre as britânicas na faixa dos 50 e 60 anos, e na faixa etária entre 16 e 24 anos.
Baseada em suas pacientes, Dra. Vanessa afirma que entre 12 e 15% das mulheres sexualmente ativas e na pré-menopausa apresentam algum tipo de dispareunia. Após a menopausa, esse número pode chegar a mais que 35%. Os índices podem ser até maiores, porém, não se pode afirmar porque a reclamação espontânea das pacientes ainda é rara. Quando o assunto é sexo ainda temos grande parcela de mulheres que sentem vergonha de tocar no tema, principalmente, durante a consulta médica.
“Qualquer assunto relacionado à vida sexual e intimidade do ser humano ainda é tabu. É difícil admitir o problema e que ele precisa ser relatado ao médico ginecologista para buscar a solução. Muitas mulheres demoram anos até conseguir se abrir ao seu médico. E somente após ser discutida essa queixa é que o ginecologista poderá diagnosticar e tratar a dispareunia” reforça a médica.

Quais são os tipos de dispareunia?
• Primária: quando acontece desde a primeira relação ou tentativa de relação sexual;

• Secundária: as relações sexuais eram normais e, a partir de determinada época, passaram a causar desconforto/dor;

• Situacional: a dispareunia ocorre apenas em determinadas ocasiões ou certos parceiros;

• Generalizada: a mulher é incapaz de conseguir qualquer tipo de penetração, sem que essa se acompanhe de desconforto.

Tratamento e causas
Há vários tratamentos para a enfermidade, que mudam de acordo com a causa e a localização da dor. São usados: terapia sexual; terapia cognitivo-comportamental (TCC); exercícios pélvicos e dilatadores vaginais; biofeedback por estimulação elétrica funcional e toxina botulínica ou anestésico tópico.
Segundo o ginecologista e obstetra Altair Pellanda: “a dor na relação sexual é um evento real e não imaginário. A dispareunia pode ter causas orgânico-físicas, isto é, quando a paciente apresenta alterações ou distúrbios no aparelho geniturinário ou reprodutor. Mas as maiores dificuldades, são as causas de origem psicogênica ou traumas emocionais. Quando a patologia resulta de uma educação rígida, por conceitos morais nos quais o ato sexual represente algo ruim, sujo, ou também por uma experiência que causou dor, logo gera uma expectativa negativa da relação sexual”.
O médico também reforça que o ginecologista deve ser qualificado e estar atento para indicar o tratamento mais adequado. Sendo que nesses casos emocionais, recomenda-se o tratamento em parceria com um profissional de excelência em psicoterapia. Doutora Vanessa também acredita na importância do psicólogo nesse processo: “O quadro doloroso, independente de sua causa, pode interferir nas demais fases da resposta sexual e produzir quadros da diminuição do desejo sexual, anorgasmia e hesitações de situações de intimidade e contato sexual. Nesta hora, a avaliação psicoterápica individual e do casal é importante. O não tratamento pode gerar problemas sérios de relacionamento entre o casal e ainda se sobrepor a depressão”, complementa.


FONTE: BBC Brasil, Folha de São Paulo, Dra. Vanessa Pedreiro (CRM-PR 25675 / RQE 2141) e Dr. Altair Pellanda (CRM-PR 11393 / RQE 4902)