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15/02/2015
Medicina do viajante

O planejamento de uma viagem de férias, negócios ou estudos

 O planejamento de uma viagem de férias, negócios ou estudos  deve ir além da
preocupação com os itens básicos, como passaporte, passagem e o visto.
É necessário também fazer uma avaliação com um Infectologista que, entre outras
áreas, atua na Medicina do Viajante. 
O mais importante na avaliação são as recomendações específicas para o
destino, informações sobre os cuidados básicos, prescrição de profilaxias e vacinas contra doenças infecciosas que podem ser adquiridas durante sua tão sonhada viagem de férias.

Veja alguns cuidados ao viajar:

Antes

Ao planejar o roteiro, verifique:
- O clima do local de destino;
- Se existem focos de doenças infecciosas;
- Culinária típica (para prevenir alergias alimentares, por exemplo);
- Condições de saneamento básico;
- Principais costumes locais, já que algumas doenças podem ser provocadas ou pioradas devido aos choques culturais.
 
Manter a saúde em dia com check-ups anuais é outra boa dica, principalmente, para executivos que podem ser enviados a diversas partes do mundo sem muito tempo para se prepararem para a viagem.  “O seu médico de confiança poderá alertar sobre os cuidados a serem tomados em determinadas regiões”.

Durante
É fundamental cuidar da dieta e evitar os itens abaixo:
- Alimentos de procedência duvidosa;
- Alimentos in natura. Algumas gastrenterites infecciosas podem deixar você “ de molho” no hotel enquanto o resto do grupo se diverte nos passeios;
- Água que não seja engarrafada e, solicite que a garrafa seja aberta na sua presença. Se a água é de procedência duvidosa, desconfie também do gelo, pois o congelamento da água não é suficiente para eliminar alguns cistos capazes de provocar doenças infecciosas;
- Contato com mosquitos em regiões tropicais;
- Contato com animais sem dono, como cachorros;
- Ingestão de comidas vendidas nas ruas;
- Excesso de bebidas alcoólicas;
- E, ainda, entrar em mar ou lagos que tenham sinalização de perigo, não somente pelo risco de afogamento, mas também risco de ataques de tubarões ou queimaduras por animais aquáticos ( água-viva por exemplo), a depender da região a ser visitada.

Depois
Dependendo do lugar escolhido para a viagem é preciso estar alerta a sintomas como febre, após o retorno. “Em destinos onde a malária é comum, qualquer episódio de febre até um ano depois do regresso merece atenção especial”, pois alguns tipos de malária podem ter apresentação subaguda.


Países com epidemias

Epidemias e surtos de algumas doenças preocupam infectologistas e turistas.
Por exemplo: na Copa do Mundo de Futebol, na Alemanha em 2006, ocorreu um surto de
sarampo. Os turistas que não tinham certeza de serem vacinados foram aconselhados a tomar
a vacina antes de embarcar.
Outra epidemia que virou manchete por diversas semanas foi a gripe aviária na Ásia. Desde o surgimento da doença em 2003, muitos casos de infecção foram notificados com 154 óbitos. A recomendação médica para esse caso era evitar os locais com criação de aves, além de tomar a vacina de gripe, apesar de se saber que não é muito eficaz para esse problema específico.

Doenças infecciosas que podem ser prevenidas durante sua viagem:
Malária: Doença transmitida por mosquitos que pode ser fatal. É um dos maiores problemas de saúde pública mundial, responsável por 300 a 500 milhões de infecções no mundo a cada ano.
Regiões que apresentam riscos: África (exceto Líbia e Tunísia), América Central (inclusive Haiti e República Dominicana), América do Sul (exceto Uruguai e Chile), Ásia (exceto Mongólia e Cazaquistão), Europa Oriental  e Pacífico Sul.
Prevenção: - Não há vacina disponível. Deve-se evitar o contato com mosquitos e utilizar repelentes, além de medicamentos que podem ser recomendados como profilaxia ou tratamento.

Febre Amarela: Doença transmitida por mosquitos, que pode evoluir para febre hemorrágica e hepatite grave. É encontrada somente em regiões de mata selvagem. No Brasil, não há casos urbanos há mais de 50 anos.
Regiões que apresentam riscos: América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela. América Central: Panamá, Trinidad e Tobago,  África: países da região do Subsaariana.
Prevenção: - Vacina contra febre amarela. Ideal que seja aplicada 15 dias antes da viagem para que haja tempo suficiente para formação de anticorpos.
- Evitar o contato com mosquitos.
- O turista também deve ter a carteira de vacina internacional, disponibilizada em alguns pontos da ANVISA.

Meningite: Doença infecciosa aguda e grave que pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e protozoários que atacam o sistema nervoso central. As mais temidas são as bacterianas, em especial a meningocócica. Pode ser fatal quando não detectada e tratada a tempo.
Regiões que apresentam riscos: África: região do Subsaariana e alguns países como Angola, Congo e Somália, conhecida como região do cinturão da meningite.
Prevenção: - Tomar a vacina meningocócica específica para cada região.

Febre Tifoide: Doença transmitida por uma bactéria proveniente de alimentação ou água contaminada. Está diretamente associada a regiões em que não há saneamento básico. São estimados cerca de 22 milhões de casos no mundo anualmente.
Regiões que apresentam epidemias: Subcontinente Indiano, Ásia, África, Caribe, América Central  e América do Sul.
Prevenção: - Evitar alimentos crus e água de procedência duvidosa.
- Vacina, indicada em casos específicos.

Hepatite A: Adquirida pelo contato com água e alimentos contaminados.
Regiões que apresentam grandes chances de contágio: América Central, América do Sul, Ásia e Europa.
Prevenção: - Tomar a vacina específica para esse tipo de hepatite.
- Consumir água mineral de boa procedência.
- Evitar alimentos crus e de procedência duvidosa.

Hepatite B: Doença transmissível pelo contato com sangue e secreções humanas infectadas. A principal forma de transmissão em viagens é a via sexual. A infecção, em alguns casos, evolui para hepatite crônica, podendo causar cirrose e câncer no fígado.
O risco de viajantes contraírem hepatite B, em geral, é baixo, exceto nos casos em que há contato sexual ou com sangue de pessoas infectadas. “O alerta vai, principalmente, para jovens e solteiros, para que nunca mantenham relações sexuais sem preservativo”.
Prevenção: - Tomar a vacina contra Hepatite B e fazer exame para comprovar a formação de anticorpos.
- Usar preservativos em todas as relações sexuais.


Para que o infectologista possa orientá-lo adequadamente, marque uma avaliação 60 dias antes da viagem. É o tempo necessário para a análise do seu roteiro, estudo de doenças ou epidemias que possam estar ocorrendo naquela determinada região ou país, hospedagem (resorts, acampamentos, pousadas....), indicações de vacinas e recomendações para preservar sua saúde, especialmente, em locais exóticos ou de ecoturismo.
 
Um bom planejamento de viagem pode evitar situações constrangedoras e tornar sua viagem inesquecível.


Dra. Carla Sakuma de Oliveira
CRM-PR 14795
Especialista em Clínica Médica pela Sociedade
Brasileira de Clínica Médica - RQE 18312
Especialista em Infectologia pela Sociedade
Brasileira de Infectologia - RQE 10181
Mestre em Medicina Interna pela Universidade
Federal do Paraná (UFPR)
Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)
Membro da APECIH - Associação Paulista de 
Estudos em Controle de Infecção Hospitalar
Coordenadora da Comissão de Controle de
Infecção Hospitalar (CCIH) da UOPECCAN e HUOP
Docente do Curso de Medicina da UNIOESTE


Dra. Juliana Gerhardt
CRM-PR 28533
Especialista em Infectologia pela Sociedade
Brasileira de Infectologia - RQE 993
Especialização em Infecção em Imunodeprimidos pela Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
MBA em Gestão em Saúde e Controle de
Infecção Hospitalar pela FAMESP-SP
Coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e
Núcleo de Epidemiologia e Segurança do Paciente do Hospital Policlínica Cascavel
Médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)
do HUOP e do Hospital Bom Jesus de Toledo
Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)
Membro da APARCIH - Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar
Docente do Curso de Medicina da UNIOESTE


 
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