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20/02/2015
Hidrogel

 Hidrogel: conheça mais sobre a substância e sua ação no organismo

Caso da modelo Andressa Urach moveu as atenções para o abuso nas transformações corporais em nome da beleza
 
No fim de 2014, os efeitos e problemas causados pelo hidrogel, que até então, era considerado seguro para uso, ganharam destaque. A substância utilizada para modelar e corrigir imperfeições no rosto e corpo virou manchete em diversos veículos de comunicação, através do caso da modelo Andressa Urach, de 27 anos, que esteve entre a vida e a morte devido a complicações causadas pelo produto no organismo. 
Há cinco anos, a modelo e apresentadora aplicou o hidrogel nas coxas, com o objetivo de ter pernas maiores e torneadas de forma mais rápida. No segundo semestre de 2014, ela procurou ajuda médica, após começar a sentir fortes dores nas pernas,  para realizar a retirada do composto do corpo. Após três procedimentos de drenagem para remover o produto das coxas, ela foi hospitalizada com uma grave infecção generalizada. As complicações levaram a vice-Miss Bumbum a ficar internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde teve uma parada no funcionamento dos rins e permaneceu respirando com ajuda de aparelhos durante vários dias. A modelo só recebeu alta na véspera de Natal, aproximadamente um mês depois do internamento. 
 
Mas, afinal, o que é o Hidrogel?
A substância é um gel hidrofílico, composto por 98% de água e 2% de poliamida, um tipo de polímero elástico. O uso indicado é para a realização de pequenos procedimentos de preenchimento, como para amenizar rugas, corrigir cicatrizes ou disfarçar diferenças da pele. No corpo, o hidrogel é aplicado na correção de assimetria de mamas, coxas, glúteos, panturrilhas e até mesmo grandes lábios vaginais.
O produto é utilizado no Brasil desde 2008, mas desde março de 2014 a renovação da regulamentação está irregular junto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), devido a falta de documentação necessária da empresa responsável pela importação do composto, diretamente da Ucrânia.
 
Como funciona a aplicação?
O procedimento é feito em um centro cirúrgico e o paciente recebe anestesia local. O hidrogel é aplicado sob a pele, por meio de uma agulha chamada microcânula, especial para procedimentos estéticos. A aplicação deve ser feita por um médico, preferencialmente um cirurgião plástico ou dermatologista. 
O especialista vai injetando a substância na parte mais profunda da pele, sendo modelada o local para a forma que o paciente quer. A aplicação dura cerca de 1 hora e a recuperação total varia entre 5 e 10 dias. Devido ao procedimento, a região com o líquido pode ficar com hematomas e edemas, que somem gradativamente.
A quantidade recomendada para aplicação, indicada pela Anvisa, é de no máximo 50 ml do produto no paciente. Alguns especialistas discordam e afirmam que a aplicação não deve passar de 3 ml. A modelo Andressa Urach declarou que aplicou aproximadamente 500 ml nas coxas, limite muito acima do indicado pelos especialistas, o que pode ter sido um dos fatores que ocasionou a infecção generalizada no organismo.  
 
Quais os riscos do uso do hidrogel?
Uma vez que o material é aplicado em grande quantidade sob a pele, o líquido envolve músculos, gordura e tendões, não ficando concentrado em um só local, mas espalhado pela região onde é aplicado. Então, no caso de alguma reação à substância, a retirada do material é mais complicada. Caso haja problemas, a retirada do produto é aconselhada e pode ser realizada através de uma cirurgia ou técnica de lipoaspiração. Se mal aplicado, o hidrogel pode causar deformações e se espalhar por outras partes do organismo, aumentando o risco de infecções.
Outro risco existente é de que o hidrogel possa ser aplicado próximo a um vaso sanguíneo, podendo comprimir e levar o paciente a um caso de isquemia, devido à interrupção da circulação, ocorrendo a necrose do tecido. O líquido pode ainda comprimir um nervo importante, causando dores fortes na região. Outros riscos são trombose, embolia pulmonar, cerebral e até a morte do paciente.
 
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