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16/05/2018
Autismo é tema de congresso inédito em Cascavel

Profissionais da saúde e educação, pacientes e familiares reuniram-se para discutir sobre a doença e lutar por mais qualidade nos tratamentos

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracteriza-se por um distúrbio que afeta a comunicação e a capacidade de aprendizado e adaptação. A doença geralmente é identificada na infância, entre 1 ano e meio e 3 anos, embora os sintomas já se apresentem nos primeiros meses de vida. As pessoas portadoras desta patologia apresentam um desenvolvimento físico normal, mas têm grandes dificuldades em manter relações sociais ou afetivas, “criando” um modo de vida mais isolado.
O TEA possui diversas peculiaridades e seu tratamento engloba um acompanhamento multidisciplinar que envolve a família, professores e profissionais de saúde. Encontrar essa assistência adequada ainda é uma grande dificuldade, apesar da estimativa de que existem aproximadamente 2 milhões de autistas no Brasil. Por isso, a ideia de criar um centro de diagnóstico e tratamento em Cascavel foi debatida durante o 1º Congresso Estadual sobre Autismo, realizado entre os dias 4 e 6 de abril. O evento também abordou por meio de palestras, as características clínicas do transtorno, discussões sobre casos clínicos e o cotidiano de famílias que convivem com o autismo, entre outros assuntos correlacionados.
O Congresso foi promovido pela Associação de Mães Autistas de Cascavel (AMAC), Universidade Paranaense (UNIPAR) e com o apoio do Deputado Estadual Marcio Pacheco. “Estamos lançando uma semente que pode germinar no futuro com a construção do centro de referência. O sucesso deste projeto depende da união do poder público e da sociedade. Vamos dar continuidade à luta e esperamos vencer esse desafio”, declarou o deputado.
Cerca de 850 pessoas de 27 municípios paranaenses estiveram presentes no Congresso que contou com a presença da ativista Berenice Piana, autora da Lei Federal 12.764 que institui a Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.


Samantha Sitnik
Presidente da Amac

“O objetivo da AMAC é reunir os autistas e suas famílias para tratar dos assuntos e causas do autismo, desde a assistência em saúde, assuntos educacionais e as políticas públicas. Já existem algumas leis que contemplam os autistas, só que infelizmente em muitos momentos elas não são cumpridas. Estou nesta luta há 20 anos quando tive o diagnóstico do meu primeiro filho. Tive muitas dificuldades nos primeiros momentos, principalmente quando busquei suporte. Por isso, a construção de um centro de referência é fundamental, as famílias terão auxílio na hora do diagnóstico, nos direcionamentos em relação aos tratamentos e intervenções que são necessários, por exemplo.”

Dra. Juliana Pavesi
Neuropediatra
“Abordei durante o evento as comorbidades, investigações genéticas e os fatores ambientais envolvidos, principalmente na gestação (período pré-natal e pós-natal). Também falei sobre os exames que são realizados nestas fases e das possíveis alterações dos exames neurológicos. Para o autismo ainda não há nenhuma medicação que seja curativa, mas existem tratamentos dos sintomas, como por exemplo, a hiperatividade, ansiedade, agressividade e déficit de atenção em que podemos associar um estimulante, por exemplo. Reforçamos também a importância de um tratamento multidisciplinar que tem o objetivo proporcionar maior qualidade de vida para o paciente autista.”


Dr. Talvany Donizetti de Oliveira
Neuropediatra

“Compreendemos o autismo como um problema psiquiátrico e a neuropediatria auxilia principalmente no diagnóstico da doença. Além disso, a especialidade contribui com o tratamento das comorbidades como a hiperatividade e irritabilidade. Tratamos os sintomas, pois a patologia não tem cura, porém podemos ajudar a atenuar a sintomatologia que atrapalha muito as atividades sociais da criança e seu aprendizado.”

Fotos: Viver Mais Comunicação e João Guilherme