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15/05/2018
Endometriose: desafios da doença e o tratamento multidisciplinar

3ª edição do Curso sobre Endometriose Intestinal foi realizada em Cascavel

A endometriose se caracteriza pelo crescimento do endométrio (tecido que reveste o útero) fora do órgão, sendo uma enfermidade inflamatória crônica. Entre os sintomas estão as cólicas menstruais intensas, dores durante relações sexuais, alterações intestinais e dificuldades para engravidar. Isso ocorre porque todos os meses o endométrio fica mais espesso, preparado para receber um óvulo fecundado. Quando a gravidez não acontece, o endométrio se desfaz sendo expelido pela menstruação, porém, se ele aumentar e acumular em outras regiões como ovários e trompas, surge a endometriose. As causas ainda são desconhecidas, mas em situações de doença na família, as chances de desenvolvimento são maiores. Além disso, o risco de câncer de ovário também é maior para mulheres que convivem com a patologia.
Apesar de atingir cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo, a doença ainda é pouco conhecida, o que prejudica o diagnóstico. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), a carência de centros de atendimentos especializados também é um fator dificultoso no diagnóstico e tratamento eficaz. No Brasil, aproximadamente sete milhões de mulheres sofrem com a doença e mais de 600 mil desenvolvem no intestino (endometriose intestinal). Nos casos avançados, o tratamento é eminentemente cirúrgico. Outro dado preocupante divulgado pela SBE, é que entre 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem apresentar a patologia e 30% tem a possibilidade de ficarem estéreis.
Para debater sobre o assunto, o Curso de Endometriose Intestinal foi realizado nos dias 16 e 17 de março em Cascavel, no Hospital Gênesis. O evento contou com a participação dos especialistas mais renomados das áreas de ginecologia, coloproctologia, urologia, cirurgia digestiva e radiologia de todo o país, que compartilharam informações sobre sintomas, diagnóstico e a importância dos tratamentos interdisciplinares.


Dr. Arceu Scanavini Neto (SP) / Coloproctologista
Hospital Israelita Albert Einstein

“O Curso de Endometriose Intestinal é inovador e aborda a endometriose no ponto de vista multidisciplinar. As pacientes com este problema geralmente são tratadas pelo ginecologista, porém quando a doença está em formas mais graves e não está restrita ao aparelho ginecológico, é necessário o acompanhamento de outras especialidades, principalmente quando se refere ao tratamento cirúrgico. A endometriose pode se manifestar com alterações intestinais (obstrução intestinal ou diarreia no período menstrual), dores pélvicas, dores na região perianal, entre outros sintomas, que levam as mulheres a procurarem o coloproctologista inicialmente. Por isso, é importante reconhecermos estes sinais na hora de realizar um diagnóstico.”
 
Dr. José Anacleto Dutra Resende Júnior (RJ) / Urologista
Hospital Federal da Lagoa e Hospital Universitário Pedro Ernesto
“A urologia ainda possui muitas restrições com relação à endometriose, por isso, todo conhecimento compartilhado é importante. Ainda estamos em processo de aprendizagem sobre a doença e o que ela causa no trato urinário. Ela pode alterar as funções da bexiga, prejudicando seu funcionamento com problemas de retenção da urina (incontinência urinária). Por isso, a troca de informações, experiências e trabalho em conjunto é essencial. O cirurgião deve abordar a doença e tratar a pelve de uma forma mais ampla, com conhecimentos tanto da parte intestinal/coloproctológica, como da parte ginecológica e da urinária, pois, caso o tratamento não seja realizado de forma adequada, há sérios riscos de deixar sequelas gravíssimas nas pacientes.”
Dr. Esdras Zanoni (PR) / Coloproctologista
Presidente da Sociedade Paranaense de Coloproctolog
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“A endometriose intestinal tem uma incidência grande, por isso a participação do coloproctologista no tratamento desta doença é extremamente necessária. A Sociedade Paranaense de Coloproctologia apoia e entende que este tipo de evento promove a multidisciplinariedade do tratamento. Outro ponto importante, são os casos em que a endometriose ainda não foi diagnosticada. A detecção deste problema pode demorar de seis a sete anos e quando há um grande acometimento da pelve e da parte ginecológica, há uma grande probabilidade que o intestino também seja atingido.”
 
Dr. Claudio Crispi (RJ) / Ginecologista
Presidente do Instituto Crispi de Cirurgias Minimamente Invasivas (RJ)
“A endometriose se infiltra em todos os cantinhos da cavidade pélvica e a cirurgia minimamente invasiva tem duas grandes vertentes, que são fundamentais: a primeira é nos possibilitar ver estes meandros mais escondidos e, a segunda, é de se fazer o controle de dano, no qual somos muito mais precisos e delicados. Para isso, temos equipamentos que passam desde energias ultramodernas, como a energia ultrassônica, até o uso da cirurgia robótica, que é uma evolução da cirurgia minimamente invasiva laparoscópica. Estes procedimentos associados tem sido um diferencial no controle de danos e na competência de remoção de toda a doença.”


Dr. Fabiano Emori (PR) / Radiologista
Hospital São Lucas, Uopeccan, Clínica Imago e Gastroclínica

“A endometriose pode acometer frequentemente vários órgãos além dos ginecológicos, como ureter, bexiga, intestino e nervos. A radiologia, por meio da Ressonância Magnética Pélvica, Ultrassonografia Endovaginal e Ultrassonografia Endoanal 3D, sempre com preparo intestinal, tem papel fundamental em mapear minuciosamente as lesões e guiar a equipe cirúrgica na escolha do tratamento. Não há na medicina outro exemplo comparável que demonstre tamanha dependência de um exame radiológico bem feito e laudado em relação ao desfecho (tratamento) desta doença.”
 
Dr. Luiz Sérgio Fettback (PR) / Ginecologista e Obstetra
Centro Clínicas
“Tive orgulho de participar deste evento como presidente de mesa ao lado de excepcionais profissionais de todo o Brasil. Nessa oportunidade pudemos discutir sobre a endometriose e as possíveis complicações da doença. A participação de especialistas competentes de várias áreas trouxe uma grande contribuição para a saúde cascavelense, visto que há uma preocupação muito perene com a melhoria dos serviços e atendimentos prestados. A Gastroclínica e o Hospital Gênesis primam por esse aperfeiçoamento e desenvolvimento constante, prova disso, é a realização deste Curso de Endometriose Intestinal.”
Dr. Univaldo Sagae (PR) / Coloproctologista
Coordenador do evento - Gastroclínica
“Foi uma grande honra receber experientes profissionais de todo o país que querem aprofundar-se neste tema, a endometriose. A doença é avassaladora, de alta incidência na população e, ainda, apresenta deficiências quanto a profissionais qualificados que possam tratar todas as pacientes, sendo que é considerada uma doença muito nova no que se refere ao acometimento intestinal. Sem dúvida, nós, aqui de Cascavel, somos pioneiros em alertar sobre a endometriose intestinal para que os profissionais da área do aparelho digestivo entendam a patologia e saibam operar, conforme realizamos nas cirurgias ao vivo, demonstrando a abordagem correta.”
 
Dr. Armando Melani (RJ) / Coloproctologista
Presidente da Sobracil (Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva)
“Esta patologia deve ser tratada adequadamente e de forma multiprofissional por ginecologistas, coloproctologistas, urologistas e outros. Atualmente, alguns tratamentos envolvem a abordagem cirúrgica e o mais indicado em relação à endometriose são os procedimentos minimamente invasivos. Estes são feitos com a cirurgia laparoscópica e com a cirurgia robótica. Durante o evento discutimos em uma mesa redonda sobre vários benefícios, como por exemplo, a possibilidade de fertilidade após a cirurgia de endometriose, que é de 50% a mais se comparado a pacientes que não são submetidas à cirurgia. Além disso, os procedimentos minimamente invasivos trazem menores índices de complicações, como hérnias abdominais e aderências pélvicas.”
Dra. Doryane Lima (PR) / Coloproctologista
Coordenadora do evento - Gastroclínica
“A endometriose é uma doença desafiadora e prevalente que durante muito tempo foi subtratada, pois não se conseguia entender muito bem o seu mecanismo de surgimento. Contudo, estamos trilhando um árduo caminho para compreender cada vez mais a doença e a troca de experiência neste curso nos faz avançar neste sentido. Nos casos em que os sintomas se apresentam no intestino, o diagnóstico é feito por meio do exame de ultrassom anorretal que avalia o reto e tecidos próximos. Assim, o papel dos coloproctologistas é fundamental no auxílio aos ginecologistas e tratamentos multidisciplinares.”
 

 
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