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15/07/2017
Envelhecimento saudável

Profissionais e estudantes se reuniram durante II Simpósio de Geriatria e Gerontologia para discutir os avanços nos cuidados à terceira idade

Um dos sinais que apontam para a melhoria da qualidade de vida de um país é o envelhecimento de sua população. De acordo com as Nações Unidas, até 2012, 810 milhões de pessoas no mundo tinham 60 anos ou mais. Até 2022, esse número deve chegar a um bilhão e até 2050 ultrapassará a marca dos dois bilhões. O Brasil segue em ritmo ainda mais acelerado nesse processo. Com uma população estimada em aproximadamente 205 milhões de pessoas, a fatia de pessoas com mais de 60 anos registrada foi superior a 14% em 2015, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os avanços nas áreas de Geriatria e Gerontologia são essenciais e mobilizam profissionais para a discussão das inovações, saúde e bem-estar na velhice.
Geriatria e Gerontologia no Paraná
Voltados às novas necessidades da população idosa, profissionais e acadêmicos das áreas de saúde participaram em Cascavel do II Simpósio de Geriatria e Gerontologia do Oeste do Paraná. O evento foi promovido pela Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia do Centro Universitário FAG, que é coordenada pelo chefe da disciplina de Geriatria da instituição, o Dr. Marcos Quirino Gomes Faria. A liga trouxe palestras de renomados especialistas nos cuidados da pessoa idosa. Durante dois dias, diversos temas foram discutidos com os profissionais, que envolveram os cuidados médicos, nutricionais, psicológicos e sociais. Uma das abordagens em destaque foi a discussão do aumento dos casos de AIDS entre idosos no Brasil, que gera novos desafios ao setor de saúde.


Dr. Vitor Pintarelli
Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (Regional Paraná) - Curitiba
A reciclagem é uma necessidade de qualquer área, mas na Medicina e nas profissões da área de saúde, as mudanças são muito rápidas, sempre há fatos novos a serem comentados e estudados a fim de melhorar o atendimento à população. Quem não participa e se mantém atualizado em eventos como esse, acaba ficando defasado. Minha apresentação traz informações de antigos e novos conhecimentos que estão sendo aplicados na prática. Em especial, coloco em debate a depressão vascular.
É uma modalidade de depressão, ou seja, um distúrbio que afeta os sentimentos tendo como principal origem “os problemas circulatórios e do sistema nervoso central”. As pessoas de idade mais avançada, quando apresentam alterações no sistema circulatório, demonstram como uma das consequências manifestações no humor, ficando mais deprimidas. A depressão vascular é um tema que está sendo muito estudado e ainda existem poucos consensos, mas uma das questões para identificação é justamente a detecção de um paciente idoso que não tem histórico prévio de depressão ao longo da vida e que começa a ter quando idoso, aliado a fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e níveis de colesterol altos. Em exames de neuroimagem, ou seja, ressonância magnética, por exemplo, aparecem determinadas lesões e características desse problema.


Dra. Ivete Berkenbrock
Geriatra - Curitiba
A demência, como nome diz, é quando uma pessoa fica sem “a mente”, uma doença que cursa com a perda de memória e alterações neuropsiquiátricas. Essa diminuição de memória é bem leve no começo e aumenta progressivamente, a um ponto que a pessoa não lembra mais quem é, então, ela perde a sua funcionalidade e independência. É uma doença de longa duração e tem uma evolução em torno de 10 a 15 anos, até chegar ao último estágio. Por isso a importância de abordar quais são os tratamentos e como cuidar desse paciente durante toda essa trajetória.


Dra. Simone Fiebrantz Pinto
Nutricionista - Curitiba
Temos que prestar muita atenção na alimentação da terceira idade, principalmente, com relação à proteína, pois muitos idosos acabam deixando de consumir a carne, o leite, o ovo, entre muitas outras fontes proteicas. Quando o idoso substitui a proteína pelo carboidrato, isso faz com que os músculos e a força muscular sofram perdas consideráveis. A proteína nessa fase da vida, também é fundamental para a imunidade do paciente. Já as fibras são importantíssimas para ajudar as enfermidades intestinais, e assim, poderíamos enumerar muitos outros exemplos de alimentos que contribuem para uma vida mais saudável na velhice.


Dr. Marcos Quirino Gomes Faria
Geriatra - Cascavel
Coordenador da disciplina de Geriatria do Centro Universitário FAG

Cada vez mais somos uma população idosa e daqui a alguns anos o número de idosos vai duplicar. Diante disso, é de fundamental importância discutir temas relacionados à velhice e suas patologias. No Centro Universitário FAG priorizamos uma formação profissional qualificada, em nossa disciplina passamos ao aluno como abordar e tratar corretamente esses pacientes. Esse segundo simpósio conduzido por nós, vem reforçar a troca de conhecimentos para promover mais qualidade de vida aos nossos idosos. Foram temas de muita relevância que trouxeram uma boa discussão entre os presentes.

Dr. Rafael Hillebrand Frazon
Cardiologista - Cascavel
A doença coronária é muito prevalente na população idosa além de ser uma das principais causas de mortalidade. O risco da doença aumenta exponencialmente nessa etapa da vida, sendo maior no homem do que na mulher, até a oitava década de vida, quando a partir dessa idade se torna equivalente entre os dois gêneros. O sintoma clássico para identificação da doença é a dor torácica, mas ocorre em apenas 50% da população idosa, ao contrário da população não idosa. Outros sintomas que podem ocorrer são: a falta de ar, palpitações, mal-estar geral e desmaios. Contudo, existem outros sintomas atípicos, que podem retardar o diagnóstico desses pacientes. A partir do diagnóstico, deve ser instituído um tratamento clínico, sempre. Em raras exceções é contraindicado, mas esse é o tratamento padrão. Para tratamentos intervencionistas, como o hemodinâmico ou cirúrgico da doença coronariana, devem ser considerados a idade do paciente, a vontade dele e dos familiares, além de todos os riscos envolvidos.


Dr. Clovis Cechinel
Geriatra - Curitiba
Começamos avaliando a cognição do idoso, para saber a efetividade e a funcionalidade da memória. A fase do envelhecimento é marcada pelas alterações fisiológicas progressivas no organismo, reduzindo a capacidade de adaptação do idoso às atividades funcionais, afetando, principalmente o equilíbrio, que ocasiona maiores riscos de queda nesta idade. A queda é um problema sério da saúde pública e de relevante impacto social na vida dos idosos, pois esse tipo de acidente acaba levando a uma série de desfechos negativos, desde fraturas, hospitalização e, por vezes, até ao óbito. Além disso, trabalhamos com a revisão de medicamentos e a prevenção de doenças, entre outros aspectos. O envelhecimento tem muitas particularidades, que precisam ser abordadas de forma mais eficiente e humanizada pelos profissionais da área de saúde.