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Entrevistas

De aluno a reitor: um sonho possível


Com eleições previstas para o mês de outubro, as peças do tabuleiro político/universitário da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) começaram a se mover. O atual diretor do campus de Cascavel, Alexandre Webber, foi o primeiro a anunciar oficialmente a disposição em participar do pleito e se colocou como pré-candidato a reitor. Nessa chapa, faz parte também o professor e atual diretor do campus de Francisco Beltrão, Gilmar Ribeiro de Mello, pré-candidato a vice.

 


O começo de uma vida na Unioeste

Alexandre Webber concluiu o curso de Odontologia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em 2001. Para chegar nessa formação, passou por uma caminhada de muita luta e batalhas judiciais. Em 1995, após cursar três bimestres, houve um bloqueio na Justiça dos novos cursos do campus, Odontologia e Medicina. Os acadêmicos, então, se organizaram e realizaram diversas mobilizações. Como as aulas foram proibidas, elas foram organizadas pelos estudantes no Calçadão de Cascavel, em frente à Catedral, para chamar a atenção da sociedade. “Fomos até o fim, porque acreditávamos que nós, estudantes, éramos os mais prejudicados nessa história. Como ficaríamos se o curso fosse cancelado?”, indaga.
Quem extinguiu a ação judicial que bloqueava os cursos de Odontologia e Medicina foi o advogado particular dos próprios alunos. A partir daí, começou outra luta. Desta vez, pela estruturação do curso e contratação de professores. Alexandre foi um dos líderes da turma durante a graduação, participou ativamente, auxiliando a organizar todas as mobilizações durante o bloqueio judicial e também pelas melhorias necessárias aos estudantes na época. E como sempre foi ativo na representação dos estudantes, foi presidente do Centro Acadêmico, em 1997; coordenador de imprensa e divulgação do DCE (Diretório Central dos Estudantes), em 1998; e presidente do DCE, em 1999. “Nesses cinco anos tivemos não só o apoio da universidade, mas também de toda sociedade, que continuou junto dos estudantes até a formatura das primeiras turmas”, comenta.


Depois de aluno, professor

Desde a época da faculdade, Alexandre esteve empenhado no desenvolvimento da saúde pública e teve o primeiro emprego voltado a essa questão. Foi contratado como dentista na Penitenciária Industrial de Cascavel, em 2002, e no ano seguinte também iniciou a carreira docente na Unioeste. Foi conciliando os dois trabalhos que enxergou uma grande oportunidade de aprendizado para os alunos e que também beneficiava a população. “Coordenei uma série de projetos de extensão sempre voltados à saúde de pessoas que mais necessitavam e, na PIC, vi uma possibilidade grande de aprendizado. Junto com outros professores, criamos um projeto de extensão na penitenciária e outro no Sindicato de Trabalhadores Rurais”, diz. Esse foi o começo do projeto que se tornou um estágio curricular. Os atendimentos hoje são realizados na PIC, Uopeccan, Hospital Universitário e, também, na Unidade Básica de Saúde do Jardim União. “Havia uma demanda grande de participação dos estudantes voluntários e fizemos com que todos pudessem ter essa experiência, tornando esse projeto um campo de estágio”, complementa.
Mais de dez turmas do curso de Odontologia do campus de Cascavel já realizaram esses atendimentos durante a formação. “Fizemos várias tratativas, inclusive com o município, que garantiu uma ampliação dos consultórios na UBS para facilitar o atendimento realizado pelos acadêmicos. Isso garante que o aluno tenha uma realidade próxima à rotina de atendimento em clínica e veja as questões do atendimento em saúde pública e as dificuldades que são enfrentadas. Além disso, é um serviço que beneficia a população que necessita do atendimento”, ressalta.
Outro ganho no atendimento à saúde pública foi a Clínica de Odontologia da Unioeste, o primeiro espaço a realizar atendimentos gratuitos a pacientes adultos. “Não havia atendimento na atenção básica para adultos na época em que a clínica foi implantada. Então, a universidade foi a primeira a oferecer esse atendimento, até que surgiu o Programa Saúde da Família”, diz.
A implantação do Centro de Especialidades Odontológicas da Unioeste (CEO), em 2014, também representou uma grande conquista, já que foi a primeira a oferecer atendimento especializado na 10ª Regional de Saúde. “Não tínhamos esse atendimento na região até a implantação do CEO na Unioeste e em 2018 houve a implantação do CEO do município. Acredito que para nossa região são necessários, ainda, mais centros de especialidades para garantir esse atendimento gratuito e de qualidade”, afirma.

Mestrado e doutorado em Saúde Pública

Em 2004, Alexandre finalizou a especialização em Saúde da Família pela Unioeste. Também é mestre em Saúde Pública pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e doutor em Estomatopatologia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) - Universidade de Campinas (Unicamp). “Sempre tive interesse na melhoria da saúde pública, pois o país é rico em questões naturais, mas a população é extremamente carente quando se fala em saúde”, diz. Alexandre acredita que o caminho para humanizar e melhorar o atendimento prestado à população só será trilhado por meio de gestões cada vez mais preparadas. A Unioeste é uma das maiores e melhores universidades do país e é necessário que a sociedade continue sendo beneficiada em tudo o que é investido e produzido dentro dela.
Com relação à saúde, é necessário que os profissionais tenham condições de trabalho para que o paciente seja bem atendido e também tenham à sua disposição os materiais necessários, sendo obrigação do gestor fazer com que esse serviço seja cada vez melhor.

“Saúde pública de qualidade é uma questão de dar o mínimo de condição para uma vida digna às pessoas”, finaliza Alexandre.

Foto: Fernando Nagai
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