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Esteatose hepática: saiba mais sobre esta doença silenciosa


SN - O que é esteatose hepática?
Dr. Carlos -
É o acúmulo de gordura nas células do fígado (hepatócitos), também chamada de doença gordurosa do fígado. Sem tratamento, pode provocar uma inflamação do órgão, com sua destruição gradativa, enrijecimento (fibrose), levando-o ao estágio de cirrose e suas complicações, como câncer hepático, falência e morte.

SN - Quais são as principais causas de esteatose hepática?
Dr. Carlos -
Durante décadas o alcoolismo foi considerado o único vilão do acúmulo de gordura no fígado. Porém, em 1980 o patologista Jurgen Ludwig, da Mayo Clinic, criou a sigla NASH (non-alcoholic steatohepatitis). NASH é o preço que o fígado paga pelo excesso de calorias ingeridas em uma vida sedentária. Esse acúmulo de gordura também pode ser atribuído a outras causas, como níveis elevados de colesterol e triglicerídeos, uso de drogas como corticoides e quimioterápicos, dentre outras etiologias.

SN - Qual a relevância da patologia chamada NASH?
Dr. Carlos -
NASH já é a segunda causa de transplantes hepáticos, perdendo apenas para hepatite C. Porém, com os tratamentos de alta eficácia existentes hoje para a hepatite C, em breve NASH chegará ao primeiro lugar da lista.

SN - A esteatose hepática de todos os pacientes vai evoluir para cirrose?
Dr. Carlos -
Não. No Brasil estima-se que 19% da população armazene gordura em excesso no fígado. Embora tais depósitos sejam geralmente benignos, em um de cada três de seus portadores evolui para esteato-hepatite, podendo evoluir para cirrose.

SN - Quais os sintomas da esteatose hepática e como diagnosticar?
Dr. Carlos - Geralmente, a esteatose hepática não apresenta sintomas, sendo considerada uma doença silenciosa. Por isso, muitas vezes, o diagnóstico é feito acidentalmente através de exames de imagem. São eles a ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética do abdome. A elastografia também é um exame que pode ser útil para avaliar o grau de fibrose hepática em um estágio mais avançado na esteato-hepatite.

SN- Existe alguma maneira de medir a quantidade de esteatose hepática?
Dr. Carlos - Sim. O padrão ouro é pela biópsia hepática, que permite quantificar em esteatose grau I (leve), grau II (moderada) e grau III (acentuada). Mas também podemos estimar por métodos não invasivos como ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética. Esses exames de imagem também são úteis na avaliação terapêutica, uma vez que a esteatose é uma doença reversível, geralmente respondendo bem a um tratamento multidisciplinar envolvendo acompanhamento médico, orientação nutricional e atividade física.

SN - É possível evitar a esteatose hepática?
Dr. Carlos -
Sim. O melhor jeito é evitar o ganho de peso e o excesso de bebidas alcoólicas. É necessário evitar o sedentarismo e os maus hábitos de vida e ser ativo na prevenção primária. Além disso, é importante procurar o médico para controlar outras doenças associadas, como dislipidemia e diabetes.