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Entrevistas

Cancerologia cirúrgica: mais sobrevida aos pacientes


Júlio Cesar Zanini tem apenas 37 anos, porém já soma 12 anos de medicina realizando cirurgias de pequena, média e alta complexidade. Em busca de salvar vidas escolheu como área de atuação médica a cancerologia/cancerologia cirúrgica, especialidade que pelo nome assusta qualquer pessoa. Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma, se começar em tecidos conjuntivos como ossos, músculos ou cartilagens é chamado de sarcoma. Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases). O câncer afeta a saúde física e emocional do paciente. No campo afetivo a família também sofre com esta doença que é predominante nos dias de hoje, por isso Dr. Júlio trabalha duro e não mede esforços para aumentar a sobrevida dos pacientes. Formou-se em medicina pela Universidade de Passo Fundo (Rio Grande do Sul) e na mesma instituição fez residência em cirurgia geral. Além disso, cursou a residência de cancerologia/cancerologia cirúrgica na União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer (Uopeccan). O médico tem amplo conhecimento técnico em sua área de atuação e mantém-se atualizado participando de encontros científicos e congressos médicos. Cordial e atencioso, o cirurgião que nasceu em Renascença (PR), chegou há 10 anos a Cascavel. Neste período conquistou boas amizades, o respeito da classe médica e a admiração dos pacientes e familiares.

Celso Jardim da Rocha
“Minha esposa, Salete Dettoni da Rocha, lutou anos contra um câncer de mama. Quando achávamos que ela estava curada surgiu em janeiro de 2016 um câncer cerebral maligno. O tumor na cabeça foi muito agressivo e neste período nossa família teve mais contato com o Dr. Júlio Zanini, que anteriormente já tinha operado minha esposa da vesícula. Foi muito difícil para nós familiares, pois além de ver o sofrimento dela, sabíamos que pouco a pouco nos deixava. Infelizmente ela não resistiu! Durante seus últimos quatro meses e quatro dias de vida tivemos o suporte de vários médicos e da equipe de enfermagem. Citamos em especial, o Dr. Júlio que prestou o melhor atendimento possível para a minha rainha. Ele realizou algumas cirurgias que foram necessárias durante o tratamento e fazia as limpezas nas escaras que ela adquiriu acamada. O médico também nos dava apoio, força e coragem. Por tudo isso, ele tornou-se uma referência para a nossa família, além de extremamente profissional é muito humano. Temos muito apreço por ele, respeito e gratidão.”

SN - Em quais hospitais trabalha?
Dr. Júlio
- Trabalho na Uopeccan e quando necessário, realizo o serviço de cirurgia geral (sobreaviso cirúrgico) no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP).

SN - Como foi a sua experiência com a cirurgia geral?
Dr. Júlio
- É a especialidade em que o médico cirurgião tem a formação básica em cirurgia, pedra fundamental para o desenvolvimento da subespecialidade posterior. Trabalhar como cirurgião geral foi uma experiência muito boa e desafiadora, momento em que comecei a viver a medicina na sua realidade. Além disso, foi quando percebi a importância nos dias de hoje das especializações e, até mesmo, de subespecializações médicas.

SN- Quais os principais tipos de procedimentos realizados na cirurgia geral?
Dr. Júlio
- Procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Na cirurgia geral temos procedimentos de pequena e média complexidade, ao passo que na cirurgia oncológica há desde simples até os mais complexos procedimentos cirúrgicos.

SN - Por que escolheu a especialidade Cancerologia/Cancerologia Cirúrgica?
Dr. Júlio
- Escolhi porque julgo ser a especialidade cirúrgica mais completa, visto que o cirurgião oncológico tem formação para fazer cirurgias de quase todas as especialidades. Além disso, o câncer é a doença mais complexa do momento, o que exige do profissional o constante aperfeiçoamento e atualização. Com poucas exceções, todos os tipos de câncer vão necessitar da atuação de um cirurgião, preferencialmente oncológico, para diagnóstico. É uma área médica extremamente dinâmica e desafiadora!

SN - Como você avalia os atuais tratamentos para o câncer? Quais as principais mudanças nos últimos anos?
Dr. Júlio
- Excelentes. Embora complexos, tanto para a execução pelo profissional médico como para o paciente (efeitos e sequelas que produz), os resultados em termos de cura e controle da doença tem melhorado substancialmente, tanto que cânceres que antes eram ditos como sinônimos de morte hoje são perfeitamente controlados e até curados. Surgiram inúmeras novas medicações para o câncer e o que evoluiu muito nos últimos anos foi o tratamento quimio e radioterápico, principalmente, o quimioterápico. Também, os esquemas de tratamento, associação e/ou combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Além disso, o surgimento e expansão das imunoterapias têm mudado muitos paradigmas.

SN - Quais os tipos de câncer que apresentam maior incidência na região?
Dr. Júlio
- Pele, mama, próstata, pulmão, colo-retal e estômago.

SN - Todos os cânceres são operáveis?
Dr. Júlio
- Não. As neoplasias hematológicas são de tratamento clínico.

SN - Que procedimento considera mais desafiador?
Dr. Júlio
- As cirurgias oncológicas pediátricas.

''Procuro sempre entender a angústia do paciente com câncer e também de seus familiares, buscando ajudar da melhor forma possível no combate à doença mais grave da atualidade.''