SAÚDE NEWS

Entrevistas

Qual é a tua Obra?


O filósofo e professor Mario Sergio Cortella, natural de Londrina, Paraná, é mestre e doutor em Educação. Lecionou durante 35 anos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e, por 12 anos, na Fundação Getúlio Vargas - SP. Consagrou-se escrevendo livros e ministrando palestras sobre educação, filosofia, teologia, motivação e carreira.
Qual é a tua obra? Este é um de seus enredos de sucesso, que provoca inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. No livro, o autor procura desmistificar conceitos e pré-conceitos e define a importância do líder: aquele que reconhece a sua obra e, ao mesmo tempo, é capaz de edificá-la. Este tema também inspirou Cortella durante a palestra que ministrou no mês de setembro em Cascavel. O evento reuniu 2.500 pessoas no Tuiuti Esporte Clube e foi promovido pela Cooperativa Sicredi Vanguarda PR/SP/RJ. Os participantes ouviram atentamente os ensinamentos do filósofo sobre gestão, liderança e ética no corporativismo. De acordo com o professor, as pessoas param pouco, olham menos e escutam com muita raridade! Vive-se uma vida automática, robótica, mecânica, sem consciência e “acelerada”. Mas é preciso entender, por exemplo, que a borboleta não pode sair do casulo antes da hora; que não é possível colher algodão antes do ponto; assim como você não pode amadurecer uma banana à força.
O filósofo também enfatiza que as tecnologias são exuberantes, pois distraem e fazem com que os indivíduos abstraíam as suas relações. Ou seja, ninguém entende as razões pelas quais faz o que faz! Porém, isso não quer dizer que as tecnologias sejam ruins, elas também apresentam seus benefícios como a conectividade, instantaneidade, simultaneidade, velocidade, mobilidade, entre outros. A questão é: “as tecnologias devem estar a serviço das pessoas, e não ao contrário”.

Saúde News - Qual a importância de cuidar da vida e saúde coletiva?
Cortella -
Vida saudável é aquela que a gente sabe que tem turbulências, tem dificuldades, tem problemas, mas ela não é descartável, não é inútil. Vida na prática é partilha, é aquilo que você comunica de si e de outros e, dentro dessa condição de convivência existe a necessidade de entender que a saúde não é algo ligado exclusivamente à parte material, aquilo que a gente chama de corpo. A noção de saúde é uma mente que seja aberta, livre, autônoma, que seja capaz de lidar com os distúrbios que o cotidiano acarreta e não dá para fazer tudo isso sozinho. Como disse grande Hilel: “se eu não for por mim, quem o será? Mas se eu for só por mim, que serei eu? E se não agora, quando?” Por isso, a ideia de saúde coletiva não é só um conceito que se aplica na área de atenção e saúde pública ou epidemiologia, saúde acima de tudo é a capacidade de entender que ou ela é coletiva ou não há saúde.

Saude News - Como manter a mente aberta?
Cortella -
manter a mente aberta é a capacidade de entender que o mundo tem uma diversidade magnífica e estupenda, que não posso ficar olhando só para meu umbigo. Os gregos antigos usavam uma expressão pra quem olhava só para o próprio umbigo, quem ficava aprisionado dentro de si, era chamado de idiota, idi em grego. O ser humano está carente de convivência, afetividade e partilha tanto na esfera pessoal, quanto profissional. O ponto de partida para transformar sua vida em uma obra mais produtiva e alegre, é abandonar uma vida que seja banal, fútil, inútil e superficial. Uma pessoa que não abre a mente ela não é apenas ignorante no sentido mais denso, ela é também tola, afinal de contas isso envelhece imensamente a capacidade de existir. Por isso, como costumava dizer o grande Charlie Chan, que é um detetive fictício do cinema chinês: “mente humana é como paraquedas: funciona melhor aberta”.

Todo o valor arrecadado com os ingressos da palestra ministrada por Cortella em Cascavel foi doado para entidades beneficentes, sendo repassado R$ 25 mil para a Apofilab – Associação de Portadores de Fissura Labio Palatal de Cascavel, e mais R$ 25 mil para o Cemic – Centro Social Beneficente da Paróquia São Cristóvão. Outra entidade apoiada pela cooperativa foi a Casa Dona Vani, que recebeu um veículo.

Mario Sergio Cortella, interpretando uma conversa entre os personagens de quadrinhos Snoopy e Charlie Brown afirma:

“Um dia nós vamos morrer, mas todos os outros dias não”. Então, qual é a tua obra?