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Entrevistas

A era da revolução no diagnóstico do câncer de próstata


Em 2016, cerca de 60 mil brasileiros receberam o diagnóstico de câncer de próstata, é o segundo tipo de câncer mais prevalente na classe masculina. A Sociedade Brasileira de Urologia orienta aos homens que comecem a realizar seus exames preventivos como o toque retal e dosagem de PSA a partir dos 50 anos, caso não tenham nenhum antecedente familiar da doença. Para aqueles que têm ou tiveram um parente próximo com o diagnóstico deste tipo de câncer, a idade indicada passa ser 45 anos. Havendo alteração em algum desses exames, uma biópsia transretal pode ser realizada. Todavia, alguns tumores ficam fora do alcance do toque do médico. Além disso, sabe-se que o PSA não é específico para câncer, pois também pode estar alterado em casos de inflamações, infecções ou aumento da glândula.
A boa notícia é que já existe um moderno equipamento, que por meio de técnicas combina- das, consegue detectar até duas vezes mais o câncer de próstata do que a própria biópsia. Quem nos traz mais esclarecimentos é o médico Dr. Fabiano Takaaki Emori. Ele tem apenas 34 anos, mas seu profissionalismo, dedicação e amplo conhecimen- to na especialidade radiológica fazem toda a dife- rença dentro do Centro de Imagens do Hospital São Lucas - Cascavel. Há dois anos o radiologista parti- cipou do Congresso Europeu de Intervenção Oncológica na cidade de Dublin, na Irlanda. Foi nessa ocasião, que tomou conhecimento do equipamento que está revolucionando o diagnóstico do câncer de próstata. O São Lucas foi um dos primeiros hospitais do Sul do Brasil a adquiri-lo.

SN - Como é feito o diagnóstico definitivo do câncer de próstata?
Dr. Fabiano -
O diagnóstico definitivo é feito por biópsia através do reto, por meio de amostragem da glândula. É o único tipo de câncer sólido detectado com esta metodologia (amostragem), desde 1980. Para se ter uma ideia, os fragmentos da biópsia somados representam menos que 1% do volume total da glândula. O resultado da patologia é preciso, porém a forma como é obtido não. A biópsia, portanto, pode não pegar a parte em que o tumor está localizado, isto é, corre risco de pegar, apenas a parte "boazinha", menos maligna do tumor.

SN - Além de poder ser imprecisa, a biópsia pode trazer complicações?
Dr. Fabiano -
Sim. Sangramento e infecção são as complicações possíveis, tendo em vista que o procedimento é feito por meio do reto. O grau de complicação depende das comorbidades do pacien- te e da forma como é realizada a biópsia.

SN - Ressonância multiparamétrica ou funcional da próstata: o que é e como é feito?
Dr. Fabiano -
Trata-se de um exame de resso- nância específico para a próstata. Permite avaliar a glândula de maneira tridimensional com cortes fi- nos. Além disso, avaliamos características funcio- nais como difusionabilidade e perfusão sanguínea. Alguns tumores são detectados apenas com estas características funcionais.

SN - Ela precisa de um aparelho específico ou de bobina endoretal?
Dr. Fabiano -
Houve uma grande evolução tecnológica neste campo. No início foi utilizada uma bobina no interior do reto do paciente. Além de ser desconfortável, com o passar dos anos chegou-se a conclusão que ela é dispensável. Quanto ao campo magnético deve ser realizada em 1.5 Tesla ou superior. Na grande maioria dos trabalhos cientí- ficos publicados (nos quais nos baseamos) foi uti- lizada a plataforma de 1.5T. Mas, chamo atenção para o seguinte: a intensidade do campo magnético do aparelho é um fator secundário no resultado final. A máquina precisa ser operada por um técnico ou biomédico experiente com auxílio do radio- logista in loco. Considero este exame "artesanal", pois cada próstata tem sua peculiaridade.


Pela infraestrutura o Centro de Imagens do Hospital São Lucas é considerado uma referência no Paraná, além de equipamentos de última geração e profissionais altamente qualificados, proporciona à população procedimentos com segurança, agilidade e diagnósticos mais precisos.


SN - Como a ressonância multiparamétrica auxilia na indicação, realização da biópsia e seleção de pacientes?
Dr. Fabiano -
Auxilia nos seguintes casos:
1 - Na RM multiparamétrica, classificamos o laudo numa escala de 1 a 5 (chamada PI-RADS). Quanto maior o número, maior a suspeita para câncer;
2 - Recentemente foi publicado um estudo científico de grande impacto, chamado PROMIS. Este estudo provou que a RM detecta câncer até 2x mais que a própria biópsia. Chegou-se a conclusão que cerca de até 1/4 dos pacientes poderiam ter "escapado da biópsia" tendo em vista que a RM foi negativa. Além disso, o valor preditivo negativo (capacidade de um exame afastar a neoplasia) é alta, superior inclusive à biópsia randômica;
3 - Quando a RM der alterada, a informação é de grande valia, pois o exame guia ou orienta qual lugar devem-se retirar mais fragmentos. Isso aumenta substancialmente a positividade do resultado;
4 - A experiência do nosso serviço tem mostrado uma parcela significativa de pacientes com biópsias prévias negativas e que tiveram seu diagnóstico confirmado após a RM multiparamétrica e biópsia dirigida.

SN - A RM substitui a biópsia?
Dr. Fabiano -
Não. A RM multiparamétrica pode ter falsos negativos e falsos positivos sim. O diagnóstico definitivo de câncer de próstata é pela biópsia e isto é imutável. Mas as ferramentas que possuímos hoje nos permitem fazê-la de uma maneira muito mais eficaz quando comparado com 1980. Quando a RM multiparamétrica der alterada e o urologista indicar a biópsia, esta deve ser idealmente realizada com fusão de imagens da multiparamétrica, pois ela é um método comple- mentar no diagnóstico dos tumores prostáticos. Sua utilização deve ser feita de maneira criteriosa e sob recomendação do urologista ou médico responsável pelo paciente.

SN - Esta biópsia com fusão necessita de aparelho específico?
Dr. Fabiano -
Sim, ela necessita de um aparelho de ultrassom com boa resolução de imagem ("modo B" que chamamos) e que tenha um software capaz de ler, correlacionar e fundir as imagens da RM, pois alguns tumores podem ser "invisíveis" à ultrasso- nografia. Desta maneira aliamos a precisão da multiparamétrica com a praticidade da ultrassono- grafia e conseguimos obter fragmentos exatamente na área alterada na ressonância. O resultado preciso depende de um conjunto: RM multiparamétrica bem feita + leitor (radiologista) experiente. A biópsia com fusão, em minha opinião, deve ser executada pelo médico que orientou e laudou a multipara- métrica.

SN - Por que a biópsia com fusão é uma revolução no diagnóstico do câncer de próstata?
Dr. Fabiano -
Sem dúvidas estamos mudando a forma de diagnosticar o câncer de próstata. Realizar a RM antes da biópsia é uma conduta já tomada nos principais centros hospitalares do mundo. Hoje fazemos isso em casos selecionados, mas acredito que se tornará uma rotina. É óbvio que numa escala populacional isso pode aumentar o custo da saúde pública e privada. Mas não podemos confundir luxo com precisão. Em oncologia a margem é pequena: temos que diagnosticar corretamente e precocemente, principalmente, em se falando do 2º câncer mais prevalente na classe masculina. Além disso, utilizando a RM multiparamétrica podemos postergar ou contraindicar biópsias desnecessárias, pois se trata de um procedimento invasivo. O objetivo é diminuir as biópsias naqueles com menos chances de ter a doença e biopsiar com precisão os pacientes de alto risco, reduzindo comorbidades de biópsia negativa e aumentando a acurácia do diagnóstico clinicamente significativo.

“A Radiologia é um braço importante da medicina que não depende somente de equipamentos, mas principalmente do know-how humano. Destaco nossos serviços de saúde da mulher (com mamografia, ultrassonografia, biópsias e ressonância de mamas, avaliação de endometriose); oncologia diagnóstica com punções biópsias, drenagens e o serviço cardiológico completo (eco-doppler, ECG, MAPA, ecocardiograma, angiotomografia de coronárias, resso- nância com estresse e cateterismo).”

Dr. Fabiano Takaaki Emori - Radiologia e Diagnóstico por Imagem CRM-PR 24574 / RQE 17207