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Entrevistas

Dedicação que salva vidas


Nascido em Campo Mourão, casado com a advogada Rossandra Pavani Nagai, também é o papai de Gabriel e Bruno. Em 1993 formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná e fez residência médica em oncologia, Hospital Erasto Gaertner, Curitiba. Prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer fazem parte da rotina do doutor Hildebrando Massahiro Nagai, que chegou a Cascavel em 2005. Especialista em Cirurgia Oncológica e Cirurgia de Cabeça e Pescoço trata das doenças da região da face, boca, faringe, laringe, tireoide e glândulas salivares. Sua experiência, seriedade e dedicação são suas virtudes mais admiráveis. Além de exímio profissional, o oncologista se destaca por buscar constantemente a melhoria da qualidade de vida e assegurar mais saúde à população do Oeste paranaense.


"A palavra câncer ainda é um palavra com estigma, infelizmente quando falamos nele, rapidamente o associamos à morte. Temos que olhar não somente nosso paciente, mas também as pessoas que o rodeiam, principalmente, a família. Procuramos explicar detalhadamente a doença, as possibilidades e formas de tratamento, esclarecendo todas as dúvidas que com certeza existem"



SN - Quais os principais problemas que acometem a região da cabeça e do pescoço?
Dr. Hildebrando -
A Cirurgia de Cabeça e Pescoço é uma especialidade médica cirúrgica que trata, principalmente, dos tumores benignos e malignos da região da face, fossas nasais, seios paranasais, boca, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, dos tecidos moles do pescoço, da paratireoide e tumores do couro cabeludo.

SN - Quais os primeiros alertas, ou fatores de risco das doenças que desencadeiam nessa região do corpo?
Dr. Hildebrando -
Dentro dos tumores malignos da região da cabeça e pescoço estão os cânceres de boca, orofaringe, laringe e hipofaringe que tem como principal etiologia o hábito de fumar e a associação com o hábito de ingesta de bebidas alcoólicas. Sendo assim, uma importante forma de prevenção é evitar o tabagismo e o etilismo.

SN - Os problemas com o câncer na cabeça e no pescoço tem diagnóstico precoce?
Dr. Hildebrando -
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura, podendo ser de mais de 90%. Mas desinformação, infelizmente contribui para um diagnóstico em estágios mais avançados, cerca de 60% a 70%. Isso se justifica devido à demora desses pacientes procurarem auxílio médico, mesmo quando existe algum sintoma discreto. Cito alguns exemplos: uma ferida na boca que não cicatriza, dor para deglutição, rouquidão, presença de linfonodos aumentados (ínguas) no pescoço, todos esses dentre outros sinais devem ser investigados.

SN - Qual a sua função da tireoide no nosso organismo e como seu mau funcionamento pode afetar o indivíduo?
Dr. Hildebrando -
A glândula tireoide é também um local de sítio de tumores benignos e malignos. A função dessa glândula é a de produzir um hormônio necessário para um bom funcionamento do nosso corpo. De um modo simplificado, como o hormônio tireoidiano interfere no metabolismo corporal, a falta desse hormônio faria nosso organismo trabalhar “mais lentamente”, enquanto seu excesso faria nosso organismo trabalhar “mais rapidamente”. Na glândula tireoide é muito comum o aparecimento de nódulos, e dependendo das características desses nódulos tireoidianos há necessidade de investigação através de uma punção aspirativa com agulha fina para estudo das células desses nódulos.

Sobre Oncologia
SN - O que diria sobre a evolução da oncologia?
Dr. Hildebrando -
A evolução da oncologia tem sido contínua, tanto na forma de diagnósticos mais precisos, quanto nos tratamentos oncológicos. Evoluímos bastante em tecnologias cirúrgicas, em drogas para combate às células malignas e em aparelhos de radioterapia. Portanto, a evolução está contribuindo não só no combate às células cancerosas, mas também na diminuição dos efeitos colaterais que os tratamentos podem induzir.

SN - Continua polêmica a questão do uso da fosfoetanolamina como uma possível chance de cura do câncer. Como avalia o medicamento? Recebe perguntas dos pacientes sobre isso?
Dr. Hildebrando -
Todos os dias somos questionados sobre essa substância como modo de tratamento antineoplásico. Na era digital, as notícias se propagaram rapidamente sobre a possibilidade de existência de uma substância capaz de trazer melhores resultados no tratamento do câncer, porém, não há ainda evidências científicas para afirmar isso em relação à fosfoetanolamina.
Apesar da Presidente Dilma Rousseff ter sancionado uma lei permitindo o uso dessa substância, o Conselho Federal de Medicina (CFM) dentro de suas atribuições alertou os médicos e a Sociedade Brasileira sobre a necessidade de pesquisas clínicas que possam assegurar eficácia e a segurança. Portanto, o CFM não recomenda a incorporação da fosfoetanolamina no arsenal terapêutico antineoplásico, até o seu reconhecimento científico com base em evidências, de sua eficácia e segurança, a serem obtidas nas conclusões de pesquisas clínicas.

SN - O que esperar da oncologia nos próximos anos?
Dr. Hildebrando -
Esperamos que possamos entender melhor a biologia do tumor, seja ele através da biologia molecular, de estudos genéticos, pois o câncer não se trata de uma única doença. O Câncer é subdividido em vários tipos que se comportam diferentemente e para cada tipo há tratamentos específicos. Descobrindo a biologia de cada câncer, acreditamos que estaremos mais perto de uma cura definitiva.


"O paciente oncológico representa uma pessoa que possui um diagnóstico que gera muita angústia, ansiedade, medo e incerteza. Mas esse mesmo paciente também tem esperanças. Por isso, procuro ser claro e transparente tanto no diagnóstico, quanto na fase de tratamento. Como médicos, estamos sempre otimistas, pois graças à evolução da medicina podemos prescrever bons tratamentos e oferecer um bom suporte na maioria dos casos. Lutamos pela vida"