SAÚDE NEWS

Entrevistas

Humberto Golfieri Junior


Referência na especialidade de pneumologia e uma história de lutas, conquistas e engajamento social

A escolha que modificou sua vida
O médico Humberto Golfieri Junior é formando em Medicina pela FCMS (Faculdade de Ciências Médicas de Santos), escola de Santos, São Paulo. A escolha pela especialização ocorreu no sexto ano da graduação: “Tive bons professores que até hoje são meus amigos! Gostei muito da dinâmica da especialidade de pneumologia, pois envolvia enfermaria, ambulatorial, UTI e cirurgias. Achei uma área ampla e interessante. Então, decidi que quando me formasse iria tratar e acompanhar pacientes com patologias pulmonares e respiratórias, contraídas de diversas formas, indicando-lhes o melhor tratamento. As doenças respiratórias, não devem ser negligenciadas, pois quando não tratadas, afetam a qualidade de vida e em casos mais graves podem evoluir para doenças crônicas ou letais”, comenta. Doutor Humberto fez a residência em Pneumologia no Hospital do Servidor Estadual de São Paulo.
É Membro Especialista pela Sociedade Brasileira de Pneumologia. Com 55 anos e aproximadamente 30 de profissão, desse tempo, 28 anos em Cascavel, é o diretor técnico e médico da Clínica Respirar, atende pacientes de toda a região Oeste com problemas respiratórios, alérgicos, dentre outras patologias que afetam os pulmões. Também é um empreendedor nato, atua como diretor financeiro da Unimed Cascavel há 10 anos, sendo ainda, um dos responsáveis pelo gerenciamento de projetos da instituição.

Carisma como boas-vindas
O carisma é a marca do médico Humberto. Com carinho e um sorriso no rosto, recebe a todos que chegam ao seu consultório. Dedica a sua atenção de forma especial a cada paciente que o procura.
Essas características do médico vêm da própria origem do profissional. Descendente de italianos nasceu em Ribeirão Pinhal, cidade do interior no Norte Pioneiro do Paraná. Após ser diagnosticado com poliomielite, aos noves meses, os pais, jovens e corajosos, decidiram mudar-se para São Paulo, em busca de tratamentos e uma vida melhor.
Até a vinda dos dois irmãos, 10 anos da família foram dedicados aos cuidados com Humberto. Mesmo com as barreiras impostas pela doença, era um bom aluno e adorava estar na escola, fazendo uma das coisas que mais ama: lendo. Como desde pequeno frequentava hospitais, seja para a continuidade do tratamento ou para cirurgias, se encantava com o mundo de instrumentos, as macas que corriam pelos corredores e o desfile de pessoas com roupas brancas. O que poderia se tornar um trauma para muitos, para ele foi inspiração. Assim, a medicina tornou-se o centro da sua vida. Outros pilares do médico foram suas famílias, aquela em que nasceu e a que ele construiu.
Casado há 30 anos com a arquiteta Mônica, tem quatro filhos, todos nascidos em solo cascavelense: Marília, 26 anos é graduada em Direito; Fernanda, 24 e Olívia, 22 anos, cursam Medicina; O caçula é o Murilo, com 12 anos. Dois motivos ajudaram o casal a escolher Cascavel: a busca pela qualidade de vida e uma presença mais efetiva na vida dos filhos, diferente da rotina das grandes capitais. Humberto é reconhecido tanto pela classe médica, quanto pela sociedade como pneumologista de excelência e um profissional experiente.

A Revista Saúde News conversou com o médico e coloca em pauta as principais dúvidas de pacientes sobre a saúde dos pulmões.
SN - Quais são as principais doenças pulmonares?
Dr. Humberto -
No atendimento em consultório, as doenças mais comuns são a asma brônquica, o DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e quadros alérgicos, como rinite e laringite. Muitos fumantes também nos procuram para avaliação pulmonar de rotina ou para avaliações pré-operatórias.

SN – Quais são as principais doenças respiratórias?
Dr. Humberto -
Uma das mais conhecidas é a asma. A doença inflamatória, na maioria das vezes é causada por alergias, atingindo crianças e adultos. O problema causa insuficiência respiratória aguda e desconforto para respirar. Dizemos ainda, que ela é o oposto à psicossomática, já que se trata de uma doença física que repercute no mental do paciente, gerando graus de insegurança devido ao problema. Atualmente, a doença asmática tem mais recursos para controle, graças à evolução dos medicamentos. Outro problema comum é a bronquite crônica, uma doença que, na maioria das vezes, é provocada pelo cigarro. Os principais sintomas são a tosse e grande quantidade de secreção, o que leva o paciente a uma insuficiência respiratória em longo prazo e com sinais repetidos de infecção, que acabam comprometendo o pulmão. O problema aparece também em não fumantes, mas em quantidade menor e com mais facilidade de controle.

SN - Existe alguma forma das pessoas fortalecerem o pulmão?
Dr. Humberto - Atividades físicas como caminhada, corrida, andar de bicicleta, são exercícios em que o pulmão corresponde muito bem. Os exercícios em pé ativam ainda mais o órgão e auxiliam no fortalecimento da capacidade respiratória. Respire sempre pelo nariz, pois os pelos dentro dele agem como um filtro, deixando entrar as partículas boas, barrando o restante e juntando-o ao muco. Há muitas substâncias que os pulmões humanos não foram feitos para inalar e precisam ser evitadas: fumaça do escapamento do carro e gasolina, fumaça de cigarro e de incêndio, produtos de limpeza, cheiro de tinta. Também é importante ficar alerta com o uso de talco, pois ele tem partículas microscópicas que ficam presas nos pulmões. As fibras (ou pó) de vidro e cerâmica podem provocar cortes minúsculos nos pulmões, fique atento a elas. Mas o cuidado número um com seus pulmões deve ser:
NUNCA FUMAR!


SN - Os problemas alérgicos são tratados exclusivamente pelo pneumologista?
Dr. Humberto -
Nesta área, são três profissionais que podem identificar e tratar a alergia: alergista, pneumologista e o otorrinolaringologista. Qualquer um deles tem conhecimento técnico para tratar a doença. Vale ressaltar que não há uma cura para alergia, já que é um traço genético, mas é possível proporcionar alívio e melhora nas fases críticas e manter a doença controlada.

SN - Como é a rotina do pneumologista dentro de uma UTI?
Dr. Humberto -
Fundamentalmente, trabalhamos com pacientes entubados, com insuficiência respiratória, que é possivelmente uma das complicações mais graves de uma série de doenças. Toda equipe de intensivismo deve ter um pneumologista, para auxiliar na regulação de aparelhos (geralmente a cada quatro horas, quando não de hora em hora). Outras doenças sempre presentes nas unidades de terapia intensiva são os casos graves de enfisema ou asma, que exigem acompanhamento diário.

SN - A insuficiência respiratória costuma ser comum no paciente que está na UTI. Mas é possível que ocorra no dia a dia?
Dr. Humberto -
Sim, ela pode ocorrer. Vamos utilizar o exemplo de um fumante: ele vem perdendo função respiratória ao longo dos anos, mas não tem a percepção disso. A doença passar a ser crônica, o organismo vai se adaptando, até que uma hora surge a necessidade de cuidados, como o uso de um balão de oxigênio domiciliar, dentre outros.

SN - Quais são os exames que mais auxiliam o pneumologista?
Dr. Humberto -
A pneumologia trabalha em parceria com diversas especialidades médicas. A radiologia em especial, fornece um dos exames mais importantes: raios-x de tórax. Outro exame fundamental é a tomografia, com imagens de alta qualidade e resolução. Na rotina de consultório utilizamos muito a espirometria, que mede a função pulmonar. Ela permite acompanhar ano a ano a perda ou a estabilidade da função respiratória. O exame é simples e de fácil realização, informa se existe uma obstrução, como asma, bronquite e enfisema, ou se existe uma restrição, como doenças que diminuem o tamanho do pulmão. A espirometria, também é muito utilizada no hospital, à beira do leito, e não apresenta desconfortos para os pacientes.

SN - Micose pulmonar, como ela ocorre?
Dr. Humberto -
Existe uma série de fungos na natureza. Um deles e o mais comum é o Aspergillus. Muitas vezes, o paciente o inala e, devido a uma sensibilidade, o fungo se instala no pulmão. Por exemplo, trabalhadores de aviários são propícios a inalarem o fungo por não se protegerem com máscaras e roupas adequadas na hora da higienização. Quando o fungo ataca uma pessoa com baixa-imunidade e com outras doenças crônicas pode evoluir para uma doença pulmonar grave.

Tosse: sinal de alerta
A tosse é um sintoma que surge como consequência de algum processo de irritação no sistema respiratório. Ela apresenta seu lado benéfico, por colaborar pela expulsão de secreções do organismo, mas é preciso ficar atento aos tipos de tosse. Segundo doutor Humberto, o problema pode ser visto como benigno ou maligno e o paciente deve prestar atenção na evolução dos sintomas.
Tosse seca: não vem acompanhada de febre, sem sinais de muco e apenas provoca irritação, não representa perigo. “Se é uma tosse que dura o dia todo e até mesmo atrapalha o sono, pode ser um sintoma de uma virose. Por exemplo, quando a criança acaba se resfriando, um bom remédio de avó já consegue melhorar essa tosse”, comenta o médico.
Tosse com catarro: se a tosse tem catarro, febre alta, tonturas, falta de apetite e, até mesmo vômito, o paciente deve procurar imediatamente um médico. “Se a febre for superior a 38 graus, com secreção amarelada, pode ser um indicativo de pneumonia. É uma doença infecciosa que pode desdobrar para uma infecção generalizada, principalmente, em crianças e idosos”, explica o pneumologista.

Dicas para melhorar o desconforto causado pela tosse:
- Não se automedique e procure assistência médica se o sintoma persistir.
- Beba bastante água, pois ela colabora com a eliminação do muco.
- Tome bebidas quentes, pois trazem alívio ao desconforto da tosse. Chás são extremamente recomendados, especialmente os de limão, camomila, erva-cidreira, erva-doce, entre outros.
- Mantenha os ambientes bem ventilados;
- Procure dormir com a cabeça elevada quando estiver em crise, ajuda aliviar o sintoma;
- Procure ficar em ambientes úmidos, utilizando vaporizadores, ou até mesmo, tomando banhos quentes, para auxiliar na respiração.

Dr. Humberto conheceu uma nova paixão: andar de bicicleta, um sonho que tinha desde criança e nem imaginava que realizaria depois de adulto. A deficiência, ocasionada pela poliomielite, o impediam de ter esse contato com o esporte, mas a atenção da esposa fez toda a diferença.
“Um dia a Mônica viu essa bicicleta de três rodas, adaptada, e marcou um test drive. No começo, admito que fui bem resistente, mas quando senti a mobilidade que a bicicleta oferecia, foi uma grande emoção. Ela devolve à pessoa com deficiência a sensação de liberdade”, declara o médico. Agora, os objetivos ganharam distâncias maiores e mais fáceis de serem vencidas.

"Uma distância que antes era instransponível, passou a ser alcançável. Faço corridas de até 20 quilômetros, mas comecei correndo cinco. O equipamento me permitiu novas experiências de vida, que estão sendo maravilhosas"

No prontuário, no papel e no pedal

Além da especialidade de pneumologia, outro cuidado que doutor Humberto Golfieri domina é a arte de se relacionar. Observador, gosta de estar atento às pessoas a sua volta e, sempre que possível, tira um tempo para manter contato. “Tenho bom relacionamento com a medicina, números e planilhas, mas também tenho coração. Gosto muito de passar um tempo com a família, de socializar com amigos e de me envolver com projetos, que buscam talentos e melhoria da qualidade de vida”, afirma o médico. Humberto desenvolve o hobby do desenho, que aguça o seu lado de ver o outro. Com uma caneta de nanquim e leveza na mão, seus traços perfeitos recriam rostos, pessoas e situações do cotidiano. “Isso é um poder de observação. Todo mundo é apto a desenhar, é só observar e estudar. Os meus desenhos preferidos são os que envolvem o retrato humano”.