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15/07/2015
A terra do fogo e do gelo

 Posso com toda a certeza começar esse texto dizendo que a Islândia é o lugar mais lindo com paisagens celestiais que já visitei até agora. Tudo começou com um sonho que sempre tive de ver a Aurora Boreal, aquelas luzes mágicas que aparecem no céu durante a noite no Círculo Polar Ártico. Viagens para tais lugares são, geralmente, muito caras e o risco de ir até lá e não vê-las é muito grande. Nunca achei que o meu sonho estaria tão próximo de ser realizado até quando descobri sobre a Islândia. A segunda maior ilha da Europa seria o lugar perfeito para tentar ver o tal fenômeno por ter sido cenário de muitos filmes de Hollywood.
Para compartilhar dessa aventura tive a companhia do meu irmão mais novo, Rodrigo. Tínhamos 8 dias em Janeiro para fazer uma road trip por volta da ilha. Antes de chegar até lá, muita gente já havia nos dito que éramos loucos por dirigir pela ilha em pleno inverno. Na tarefa de planejar a viagem, todo cuidado era pouco. Reservamos um carro 4x4 com pneus de inverno e nos aconselharam um aplicativo de emergência no celular que transmite sua localização para resgate em caso de emergência. 
Pousamos em Reykjavik a meia noite. Deram-nos a chave do carro alugado com instrução de onde achá-lo no estacionamento do aeroporto. Ninguém nos havia dito que o estacionamento não era coberto e que seria quase impossível achar o carro no meio de muitos, todos cobertos pela neve, que continuava a cair. O Rodrigo saiu correndo usando a chave automática para ver qual carro apitava e, finalmente, depois de muita neve o achamos, e com uma pá que se encontrava dentro do porta-luvas, limpamos os vidros. A aventura havia apenas começado.
Com o mapa na mão, começamos a volta na ilha. Já que não saberíamos como o tempo nos trataria, não sabíamos o quanto iríamos dirigir por dia e deixamos para procurar estadia a cada anoitecer. Lembrando que nesta época o sol nasce por volta das 11 da manhã e se põe lá pelas 4 da tarde. Na primeira noite na estrada, já percebemos que os islandeses são muito receptivos. Graças à internet 3G e aplicativos como o Trip Advisor e Trivago, achamos um restaurante que mais parecia a sala de estar de uma casa, paramos para comer e decidir onde ficar naquela noite. A simpática dona do lugar nos convidou a passar a noite na casa dela, pois alugava os quartos para turistas como nós. 
O tempo é um dos assuntos que os locais mais gostam de conversar. E estando lá você acaba realmente entendendo o porquê. O tempo muda como se fosse mágica. Estávamos dirigindo numa estrada com sol e num piscar de olhos nos encontramos no meio de uma nevasca com visão máxima de uns 3 metros à frente. E aí o que fazer? Parar numa estrada sem acostamento? Continuamos em frente dirigindo a 10 quilômetros por hora até que o céu limpou. Outra surpresa que tivemos foi o vento, enquanto jantávamos numa cidade antes de dirigirmos mais umas 2 horas, até onde pararíamos para dormir, conversamos com a dona do restaurante que nos alertou sobre o tempo. Ela nos disse que era melhor não seguirmos em frente, porque naquela estrada o vento estava muito forte, e chegou a tirar o carro dela da pista. Pensamos que ela queria que ficássemos no seu hotel, por isso exagerou na história. Como tínhamos quase 3 mil quilômetros pra fazer em 7 dias, resolvemos seguir em frente. Não poderia ser assim tão ruim, estávamos com um carro razoavelmente bom. (Com expressão de espanto!) Ela estava certa! Eu, que estava no banco do passageiro, não tirava o olho da estrada e mordendo o cachecol de medo. De um lado era o mar e do outro montanha com risco de desabamento e, no meio, nosso carro que não parava de balançar com o vento que batia de lado. Felizmente, chegamos ao nosso destino, sãos e salvos.
E o frio? Conseguimos sobrevivê-lo porque até então, a temperatura não é assim tão baixa. Variava de -1ºC até -8ºC, muito melhor do que a maioria dos países da Europa. 
Existem as vantagens de se visitar o país durante o inverno. A maior geleira da Europa está localizada na ilha e nesta época podemos visitar as cavernas de cristal, um lugar de uma incrível beleza. Durante todo o nosso trajeto, vimos muitas cachoeiras em parte congeladas, o que as fazia um tanto exuberantes. Não posso esquecer também de que durante toda a viagem estávamos em busca do lindo espetáculo de luzes nos céu. Quase no fim da semana, quando achei que não teria a sorte de vê-las, nos surpreendemos com a Aurora Boreal dançando pelo céu. 
A Islândia também é a maior ilha vulcânica do mundo. Existe mais de 20 vulcões ativos, tendo assim, muitas águas termais de cor azul turquesa. Fomos a mais conhecida e a mais sofisticada, a Blue Lagoon. Apesar de terem várias águas quentes naturais pelo país, infelizmente, a Blue Lagoon não é natural, mas realmente é um lugar indispensável para se conhecer. Enquanto a temperatura no ar está abaixo de zero grau, a água de lá chega até a 40ºC. Uma delícia!

Texto: Tatiane Galbier Simioni

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