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16/07/2015
Álvaro Rabelo - O médico que deixou um legado de amor à medicina e ao próximo

 Dia 15 de maio, ficou registrado como uma data dolorosa para os cascavelenses, pois crianças, jovens e idosos lamentavam a perda do doutor Álvaro Rabelo. Faleceu aos 80 anos de insuficiência renal crônica. Aprendeu a fazer medicina numa época mais rudimentar, não existiam tantos recursos. Contudo, também foi audaz e habilidoso para acompanhar toda a evolução de sua profissão. Chegou a Cascavel por volta de 1970, três anos depois, encontrou seu grande amor: Arlete Maria Giordani Rabelo. Dessa união, nasceu o filho Álvaro Luis Rabelo, farmacêutico bioquímico.
 Suas consultas eram longas, sempre foi muito atencioso com todos os seus pacientes. Sua generosidade, sabedoria e dedicação, colocava Dr. Álvaro como um médico acima da média, um exemplo a ser seguido. Foi um dos fundadores do Hospital Policlínica, recebeu o título de cidadão honorário de Cascavel em 1995 e, também foi reconhecido pela classe médica por meio do diploma de “Mérito Ético Profissional”. Seus 55 anos de experiência ajudaram a construir a história da Medicina Oeste Paranaense.

Curiosidades
Naturalidade: Coração de Jesus, norte de Minas Gerais;
Pais: Euclides de Araújo Rabelo e Geraldina Lelis Rabelo;
Infância: passou seus primeiros anos na Fazenda Corrente, onde os pais criavam gado;
Graduação: formado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), março de 1960;
Onde trabalhou: Abre Campo, interior de Minas Gerais, Mato Grosso, Rondônia e chegou por volta de 1962 em Céu Azul (Paraná); Depois ingressou na Secretaria de Saúde Pública do Paraná e mudou-se para Cascavel;
Paixões: Medicina e família;
Hobby: Fotografia. Amante de imagens, desde jovem tinha o hábito de carregar uma câmera e registrar tudo. Montou acervos com belas imagens, também costumava revelar fotos para presentear os amigos e conhecidos;
Música: clássica;
Disciplina: estudava constantemente, pois gostava de estar sempre atualizado com as novidades da medicina. Deixou uma biblioteca riquíssima com livros, fotos, fitas gravadas, CDs, entre outros arquivos;
Língua estrangeira: esperantista, por meio do Esperanto comunicava-se com pessoas de diversas partes do mundo. 
Esporte preferido: voleibol.

Reconhecimento
UPA Veneza receberá o nome do médico Álvaro Rabelo

Os vereadores aprovaram o Projeto de Lei n° 62/2015, que denomina o nome do Dr. Álvaro Rabelo à Unidade de Pronto Atendimento - UPA, localizada no Jardim Veneza. A conquista aconteceu no dia 15 de junho, durante Assembleia na Câmara Municipal de Cascavel, sendo que a proposição, de autoria do vereador Dr. Luiz Burgarelli, recebeu aprovação por unanimidade. Segundo Dr. Burgarelli, presidente de Associação Médica local, “objetivo é prestar uma justa homenagem ao Dr. Álvaro, médico conceituado em nossa cidade. Ele era um exemplo de conduta moral, ética e profissional. Além disso, seu desempenho era incansável, um verdadeiro líder! Um cidadão comprometido e preocupado com a saúde e bem-estar coletivo”.

O médico que falava esperanto
Parodiando, o homem que falava Javanez, este é o homem que merece nossa reverência e respeito. São muitas as lembranças, todas elas boas, que nos transportam aos bons momentos que foram vividos até a sua despedida. Chegando a Cascavel fui visitá-lo em seu consultório, apresentei-me e disse por que estava vindo e a mineirice peculiar transformou-se numa amizade no primeiro abraço, que era o início de sua “terapia do abraço”. A primeira paciente que atendi, foi encaminhada por ele, com a desculpa que não tinha tempo para atendê-la, mas no fundo foi para me deixar feliz e começar uma longa jornada.
Um mês depois de minha chegada a Cascavel, já com esposa e filhos fui convidado a saborear um prato que para mim era estranho e diferente, râ frita que foi magistralmente preparada pelo amigo Orlei Cobina que era bioquímico de saúde, uma noite maravilhosa com muitos “causos” compartilhados, com Drumond, Everli, Cida, Eva, Bichat e outros que nos idos de 77 estavam contando também suas histórias, como eu que estava recém-chegado do Rio.
A correspondência em esperanto era frequente, e eu soube disso em encontros no acesso a Caixa Postal dos Correios, pois também envio cartas.  Organizei uma gincana com alunos do Colégio Wilson Joffre onde lecionava, e uma das etapas era uma mensagem em Esperanto e o Álvaro foi muito requisitado para tal missão, na época, um dos poucos que sabia o idioma.
Amigo de todos e muito conselheiro, não sabia cobrar consultas dos menos favorecidos e dos amigos, prova disso foram cheques que não descontava e guardava nos livros, para não dizer que não recebia.
Era um dos poucos que respondia todos os cartões de Natal e aniversário que recebia.
Sempre com uma palavra fraterna que nos deixava cada vez mais cativo como a raposa do Pequeno Príncipe “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Um grande coração sempre com braços abertos e uma grande alma branca (mahatma) como dizem os indus. Na última visita do amigo Ovídio havia prometido tomar um vinho que ele gostava. Com a família no dia seguinte não teve tempo, partiu antes. Na história do falecimento de Bezerra de Menezes, contam os espíritos que um grande vozerio se ouvia do lado de fora onde ele estava, e então Bezerra perguntou: que é essa gente, e lhe foi respondido- são todos aqueles que você atendeu e que já estão do lado espiritual e querem lhe agradecer, acredito que o mesmo ocorreu com o nosso querido, que é também, do Espírito Santo.
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