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16/05/2015
Desenvolvimento Embrionário na Fertilização In vitro

 Há muita curiosidade em saber como ocorre o desenvolvimento dos embriões quando realizamos a Fertilização in vitro. Nesta técnica de Reprodução Assistida, os casais que têm dificuldade para engravidar são submetidos ao uso de medicamentos para estimular a produção dos óvulos pelos ovários, estes são então coletados em momento oportuno, e o encontro do óvulo com o espermatozoide ocorre dentro do Laboratório de Reprodução Humana,  sob visão de um microscópio de alta resolução e não no corpo da mulher, especificamente na tuba uterina, como ocorre no processo natural.
A partir do momento que os óvulos são captados, através de uma punção via vaginal, com a mulher sedada, o homem faz a coleta do sêmen, através de masturbação. O material de ambos é, então, analisado pelo (a) embriologista, o (a) qual realiza a Fertilização in vitro propriamente dita: Depois de evidenciado os oócitos maduros (presença do corpúsculo polar-seta) eles são separados em uma placa de vidro e a Fertilização pode ser feita de 2 maneiras: a forma convencional ou através da micro injeção (ICSI). 
 
Oócito maduro (Seta mostra corpúsculo polar)
Na forma convencional é colocado um determinado número de espermatozoides ao redor de cada óvulo e um deles acaba entrando sozinho no óvulo. Já na micro injeção, também chamada de ICSI, ou seja, Injeção IntraCitoplasmática do Espermatozoide, um único espermatozoide selecionado é injetado dentro de um único óvulo, através de uma micro agulha e um micro manipulador, acoplados a um microscópio de alta resolução.  A ICSI é uma técnica mais moderna, com resultados melhores em relação à FIV convencional, porém, tem um custo um pouco maior em função de exigir maior tecnologia.
 
ICSI – Injeção IntraCitoplasmática do Espermatozoide
Seja na forma convencional ou na ICSI, após o espermatozoide estar dentro do óvulo, essa estrutura celular permanece dentro de uma estufa, com temperatura, gases, pH, apropriados para desenvolvimento celular, dentro do laboratório de Reprodução Humana, onde existe toda uma regulamentação da Anvisa para se ter qualidade de ar 100% puro, fluxo de ar com pressões que favoreçam a entrada e saída de ar dos ambientes, enfim, com especificações que influenciam na qualidade do desenvolvimento embrionário.
Em torno de 20 horas após o espermatozoide estar dentro do óvulo, procede-se a visualização ao microscópio e, se houve a fertilização adequadamente, visualiza-se neste momento a presença de 2 pronúcleos (foto), que já confirma que houve a junção do material feminino com o masculino na mesma célula. Essa estrutura celular volta e permanece na estufa. Se tiver somente um, três ou mais pronúcleos, a fertilização ocorreu de forma anormal e esse embrião não deve ser transferido para o útero.

2 pronúcleos
No dia seguinte é novamente visualizado e, normalmente, já se evidencia uma estrutura com 2 células, ou seja, iniciou a divisão celular. 

Embrião com 2 células
Permanece na estufa e após mais um dia, visualiza-se os embriões ao microscópio, que geralmente estão com 4 a 6 células (foto). 

Embrião com 4 células
Permanecem na estufa e no terceiro dia (D3), os embriões que estão se desenvolvendo adequadamente e com 8 a 10 células (foto). Neste dia, os embriões já podem ser transferidos para o útero da mulher.

Embrião com 8 células

Em alguns casos, podemos esperar para transferir no quinto dia, ou seja, em estágio de blastocisto (foto). Casos como falhas de implantação embrionária prévia em que já se realizou duas ou mais tentativas de fertilização in vitro transferindo embriões em D3 e não se obteve sucesso de gestação, pode-se optar por transferir em blastocisto, pois o embrião que consegue chegar a blastocisto é um embrião que tem maior potencial de implantação e gestação. 

Blastocisto
Os embriões também são classificados em I, II, III e IV . Essa classificação avalia a presença ou não de fragmentação nas células dos embriões, presença ou não de vacúolos e tem relação com a “qualidade” embrionária, ou seja, o tipo I é de melhor qualidade e tem maior potencial de implantação e gestação.


Qualidade dos Embriões

A qualidade dos embriões depende de vários fatores como: idade da mulher (tido como um dos principais fatores que influenciam na qualidade do óvulo e dos embriões), doenças associadas como endometriose, idade paterna, qualidade do sêmen (número, motilidade e formas adequadas), bem como os medicamentos utilizados na indução da ovulação, tipos de materiais utilizados no laboratório de Reprodução Humana, como meios de cultura, estufas e a manutenção dos mesmos, entre outros fatores, também podem interferir na qualidade dos óvulos e embriões.
Por isso, cada paciente pode ter embriões de melhor ou pior qualidade, com maior ou menor potencial de implantação e gestação, dependendo de cada caso.
Mas vale lembrar que devido à idade da mulher ser um dos fatores principais dessa qualidade embrionária, não se deve esperar muito tempo para procurar um serviço especializado e de boas referências para fazer o tratamento em Reprodução Assistida, como a Fertilização in vitro, para poder se ter uma melhor taxa de sucesso de gestação com o tratamento.
 
Dr. Fernando Rodrigues Santos
CRM-PR 13852
Ginecologia - RQE 6967
Obstetrícia - RQE 6968

Dra. Cristiane G. Gobo
CRM-PR 14230
Ginecologia - RQE 6882
Obstetrícia - RQE 6883
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